Ela repetia que as borboletas eram mais leves do que o ar. Perdia o equilíbrio, procurava apoio, pendia a cabeça para baixo e repetia que as borboletas eram mais leves do que o ar.

Já estava descalça, a maquiagem borrada pelo pranto, os sapatos em uma das mãos. Já havia chamado um taxi e jurado amor a um ex-namorado. Sem pausa para respirar ela repetia que as borboletas eram mais leves do que o ar.

Vomitou pelo menos seis vezes mais do que havia bebido. Arranhou a garganta, tossiu, cerrou os punhos e gritou palavrões. A boca ficava entreaberta e ela repetia que as borboletas eram mais leves do que o ar.

Antes de ser conduzida para casa, já desgrenhada e deformada pela angústia juvenil, cravou as unhas pintadas de vermelho nos braços de alguns conhecidos, agredecendo ao cuidado e repetindo que as borboletas eram mais leves do que o ar.

Ao se virar, deixou o dorso nú por entre as linhas paralelas do decote. Lá estavam as borboletas feitas de tinta. Milhares delas. Cada uma mais leve do que o ar.

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