Por vezes cheguei a pensar estar enclausurada dentro de algo irreal, que era totalmente vazio e puramente mágico. Mas, esta magia era perturbadora, afinal, sempre fui grande fã da realidade.
Porém, este mundo fantástico me desprendia de temores reais que sempre assisti. Esta utopia me tornava personagem da minha própria vida. Era com se houvessem duas pessoas presas em um único corpo. E este era pequeno demais para ambas. Como morar com alguém indesejável que sempre se intromete nos seus assuntos.
Esta briga incessante pelo domínio, esta guerra quase que permanente tiravam meu sono. Era preciso que uma delas fosse eliminada. E qual? A mais fraca, claro!
Prós e contras pesados aprendi que ambas eram fortíssimas e que esta disputa seria incessante, talvez eterna.
Então, enveredava eu por caminhos obscuros atrás de uma, e por pátios iluminados acompanhando a outra.
Fazia, dizia e via coisas estranhas, macabras, horrendas, assustadoras e temíveis. Tanto para uma quanto para outra.
E o que percebia-se dessa jornada era a infelicidade que esta inimizade me causava. Vivia em estado de leve torpor, pois era difícil identificar quem vivia em mim a cada momento. Resolvi deixá-las de lado. E deixei-as.
Mas cada uma delas era eu em essência e espírito. Então deixá-las era deixar de existir. E a existência era então meu único prazer.
Escolhi a vida, e essas duas que se entendam!

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