Esta tela branca e fria do computador que leva minha inspiração embora, não tem perdão! Passo o dia procurando temas sobre o qual escrever, penso em mil cosias, mas quando sento em frente a esta máquina e tento me adequar ao teclado para escrever o que gostaria, pronto: BRANCO! Aí não tem jeito tenho que recorrer ao papel e à caneta, para conseguir ao menos um pouco do que tinha imaginado. Sou uma grande imaginadora, mas não consigo colocar tudo tão bem assim no papel também. Aí o caso é diferente, não é a inspiração que falta, mas sim a preguiça que me consome. É porque este é um dos meus pecados capitais preferidos de cometer. Logo seguido da gula e da luxúria, que afinal sobre meu ponto de vista são quase a mesma coisa!

Aliás esse negócio de pecado é relativo. Você pode ser o maior preguiçoso do mundo, mas não pecar em mais nada, enquanto pode cometer todos os pecados de uma vez, mas em porcentagem pequena cada. Aí o que é pior? Pecar de um pouco de tudo ou só um pecado por vez em exagero? Segundo a teoria exagero nunca é bom, talvez o ideal sejam os pequenos pecadinhos do dia-a-dia, aqueles que ninguém identifica.

Mas nada disso importa na era do simulacro! Onde você não é você e sim o que os outros esperam que você seja, mas não importa se você é feliz! Você finge que gosta do seu trabalho, das pessoas que convivem com você, e finge que está tudo bem do jeito que está, e finge que é feliz assim! “O poeta é um fingidor, fingi tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente!” Fernando Pessoa é o poeta que disse as coisas mais interessantes que alguém poderia dizer, e por isso é sempre tão citado. “Tudo o que sei é que nada sei!”

Pois é, eu sou uma que vive citando-o, porque é incrível como as palavras de outras pessoas se encaixam tão bem em minha pessoa! E não escreve só poesia bem, como prosa também. Ele e todos seus heterônimos, um poeta de múltipla personalidade, um gênio que pode assumir quantas figuras pode e quis, para escrever sobre tudo o que pretendeu escrever. Por mais diferentes que fossem seus escritos.

Por isso pode-se entender que simulações são na verdade nada mais que poesia. Fingir-se ser alguém, é ser alguém poeticamente.Teoria interessante, mas que não nos alivia do peso que a necessidade de ser de verdade nos recai sobre o ombro. Por que há a necessidade de parar de fingir? Por que não podemos apenas nos contentar em viver das ilusões que criamos? Por isso mesmo, nós criamos cada um uma ilusão que não bate com a ilusão do outro, e por isso surge o conflito e percebemos que a realidade é bastante diferente do que pensávamos. Mas talvez a realidade não exista. O que exista seja uma ilusão mais convincente para a maioria.

Pois é, para quem não conseguia escrever na tela branca e fria do computador, eis que apresento minhas teorias infundadas de maluca consciente que sou.

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