Era apenas o cursor, mas sua sensação era de suas próprias mãos correndo aquela pele delicada. Dedilhou, com o mouse, infelizmente, cada centímetro do colo da mulher. E que mulher! Ele gostava de dizer que seu trabalho era simplesmente tornar a foto o retrato mais fiel possível dela, pois nela não havia defeitos. Tudo era belo. Tudo era perfeito. Tudo parecia estar no seu devido lugar.

Obcecou sua idéia em furtivos pensamentos obscenos. Embora se sentisse abençoado pelo grato trabalho a fazer, sentia necessidade de mais. Queria tocá-la, mais que retocá-la. Queria poder despi-la com o tatear do carimbo, ou, de preferência, com suas próprias mãos. Queria fazer sentir o que sentia em si.

Tirou tudo que não interessava. Contornou-a sem pressa. Com um simples clique, tudo o que não era ela sumia. Ficava só o que havia de mais belo, de mais forte. Ficava só ela, na imagem e em seus pensamentos. Ficava só, ele, a pensar na utopia. Ficava… E só ele sabe como.

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