cena do filme Cidade de Deus

Ataque do império online, Cidade Alerta, Museu da Morte, “Cidade de Deus”, e a lógica nessa história? Mais um espetáculo chamado violência
Sempre gostei muito de cinema, aliás, artes em geral. Nunca gostei de filmes violentos, tenho um certo repúdio com cenas violentas [provavelmente alguma sequela psicológica], e hoje fico chocada com a quantidade de pessoas que adoram ver atos violentos.

Se você está dizendo assim: Eu não? Pergunto eu, quantas vezes você viu o ataque do WTC? Quantas vezes você viu ante ontem a morte do policial na frente do Palácio do Governo? Quantos filmes, novelas, desenhos, video gaimes você viu e condicionou isso a uma realidade normal?

Muitas vezes eu me questiono sobre isso, quando me deparo com uma criança passando fome na rua – e sem demagogia nenhuma viu gente – quando vejo alguém com aquele olhar de ‘cadáver ambulante’. Você se questiona, como pode, dentro de um país tão grande haver tanta gente seduzida pela violência? É a violência de todos os aspectos. E a maior violência, não te machuca, mas sim, tira seu senso crítico, inibe sua capacidade de reflexão.

Muitas pessoas que assistem a esses programas ‘violentos’, assistem para ter informação, para saber qual é a situação atual, como anda a violência. Muitas delas ficam tão paranóicas que adoecem, com uma famosa doença psicológica chamada Sindrome do Pânico, algumas dizem – Não vou sair mais de casa. – Minha filha, nunca, balada jamais, com a violência lá fora, ela pode ser estuprada… E por ai seguem todas as ações de quem está condicionado a sedução do medo, porque faz parte do cotidiano, porque ilustra a realidade daquela pessoa, do mundo no qual ela vive.

É só observar, e notar. As pessoas que assistiram a cena do WTC, tornou-se uma ação tão ‘robótica’ que era considerada uma naturalidade – lembrando que estamos falando de violência, um assunto que não retrata beneficíos – e aquela cena ia se repetindo, repetindo, como se o próprio Bush estivesse dentro da cabeça de cada um dizendo “MATEM OS TERRORISTAS…MATEM OS TERRORISTAS”.
Não aceito as ações terroristas, condeno-as mais do que ninguém, mas a violência que a mídia causou em cada uma das pessoas que assistiam a cena, foi muito maior que um ato terrorista. Por sinal, essa “guerra da mídia” em tirar todo mundo da órbita já vem sendo disputada há muito tempo, e ganha proporções cada vez maiores com o decorrer do tempo.

1% da população brasileira tem acesso as universidades, 0,025% desse pessoal conclui a faculdade, como é que o resto se vira? Com o que podem, com o que tem. E se vivenciamos uma situação de caos total no mundo hoje é porque aceitamos. É a velha frase “quem cala, consente” e se consente não reclama.

Toda a ação, sujeita uma reação. Sei que é uma utopia pensar em um mundo melhor, sei que é uma utopia sonhar com uma sociedade com menos violência – porque não existe sociedade sem violência. Mas posso me chamar de utópica, sonhadora, pelo menos eu continuo apostando no meu país.

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