Definitivamente, eu não sei usar o encosto de braço que alguns ônibus gentilmente oferecem aos seus passageiros. Aquele micro-espaço entre uma poltrona e outra, da grossura de um Modess, que teria a finalidade de confortar nossos braços tornando nossa viagem menos cansativa, para mim, nunca foi útil.

Sempre que alguém se senta ao meu lado a porcaria do encosto perde sua razão de ser. Isso porque as pessoas, todas elas mal educadas, tomam todo o espaço disponível, como se você não tivesse um braço. Chego a trágica conclusão de que nenhuma pessoa bem educada (o que vale dizer: alguém que dividisse irmamente o encosto para o braço), até hoje, já se sentou ao meu lado.

Como já escrevi antes, sou um cara chato. Ou seja, evito qualquer esbarrão. Se alguém se senta ao meu lado, apóia o braço no encosto e esbarra mesmo que acidentalmente no meu braço, eu recolho-o imediatamente. Ato reflexivo, instantâneo. Odeio pessoas se esbarrando em mim; odeio quando pisam no meu pé; odeio quando me cutucam. Não tenho mais idade para ficar medindo forças, disputando com o passageiro ao lado quem consegue manter o braço no encosto por mais tempo, em uma espécie de queda-de-braço sem fim nem razão. Também me resguardo de ter que usar minhas cordas vocais para pedir:

“Por favor, será que dava para chegar o seu braço mais pra lá, porque tá me incomodando?”

Outro dia, estava eu sentado no ônibus, na minha, filosofando sobre a vida e seus desdobramentos, quando se sentou um passageiro ao meu lado. A princípio, mantive meu braço no encosto, imóvel. Estranhei o fato do cara do lado nem esboçar um movimento para roubar de uma vez o encosto. Foi então que minha perna coçou. Não teve jeito: tive que movimentar o braço para que meus dedos alcançassem o local da coceira. Dois segundos depois, o infeliz tinha estendido todo o seu braço na porcaria do encosto, como se fosse o dono do mesmo, senhor de todos os encostos, soberano dos apoios para os braços!

Por que não fazem um encosto maior? Ou então, por que não arrancam de forma dolorosa e animalesca os braços de toda esta escória humana que não respeita o descanso braçal dos outros? Eu hein…

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