O Tanque das Ninféias

Monet era míope. Talvez a afirmação passe desapercebida por alguns, e talvez para outros cause um estrondo de admiração. Um artista do quilate do Monet, míope? Não sei… Talvez seja crueldade ou excesso de praticidade de minha parte, mas o fato me soa como: “Ah! então está explicado!”.

Seja arte genial ou mero fruto da deficiência do artista, o impressionismo faz parte de uma gama cada vez mais repletas de coisas que mexem com o imaginário das pessoas. Estimulam sensações que levam indivíduos a buscar significados subliminares (e não vou entrar no mérito da questão, se há ou não). O que me assusta não são possíveis viagens interpretativas em produções artísticas, afinal, o que é um quadro ou uma poesia se não a própria interpretação de quem vê? Assustador é o que gosto de chamar de “complexo winstoniano do Estado onipresente e das forças onipotentes”. É admirável a quantidade de pessoas e as diversas formas como elas crêem em teorias conspiratórias, tramas supra-hollywoodianas e coisas afins.

Não culpo ninguém que tenha esses reflexos. É um ciclo inevitável. Nascemos, vivemos um mundo de fantasia enquanto crianças, até que amadurecemos e aprendemos, duramente, que “nada era como eu imaginava, nem as pessoas que eu tanto amava”1. Lembro-me, quando no cursinho pré-vestibular, da quantidade de realidades com as quais me deparei. E me assustei. Realmente, a maneira como tanta coisa é facilmente manipulada, adulterada e influenciada (culpa também da má-formação das pessoas). Ficamos impressionados, cismados, com medo de dar à mão, de falar com qualquer pessoa que seja, e até mesmo de sorrir! Sim, porque sabemos, ou imaginamos, que qualquer ato, qualquer gesto, vem carregado de malícia, de segundas intenções.

Não sei se por inocência ou comodismo, vejo esse complexo como um exagero exacerbado da capacidade do ser humano em semear o mal. Há sim pessoas maldosas e oportunistas, mas certamente há mais fantasia que isso. É, talvez seja inocência… Mas é tão mais sutil e menos paranóico ver a vida assim, com mais simplicidade. “Quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia”2. Na verdade, bom mesmo é aquela sutileza infantil. Ver a vida como uma fantasia, ou ao menos, sem ambições, malícias… Não há nada que pague, por exemplo, a sensação que sinto quando recebo um sorriso infantil. É… Inexplicável! Talvez porque eu saiba que aquele sorriso é gratuito. Não quer nada em troca. É apenas… Apenas um sorriso infantil.

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