Enquanto criança, há poucas coisas tão divertidas quanto fingir ser um super-herói. Entre capas e sabres de luz, visão de raios-X e poder de levitar, confesso que tive uma leve queda pela invisibilidade. Mas minha verdadeira paixão sempre foi a imortalidade.

Obviamente minha preferência resultava em coleguinhas emburrados, pois, como eu nunca morria, era a única que perdurava até o fim da brincadeira e sempre vencia. Como era bom ser imortal!

Com o passar dos anos a imortalidade não se apresentava tão atraente como antes.

Pais, amores, amigos e qualquer espécie de laço afetivo. Como ficariam? A dor da perda seria eterna e constante ou ao longo dos anos a frieza reinaria?

E a aparência física? E o brilho dos olhos? O rubor da face? A jovialidade seria conservada ou a saúde seria comprometida? A propósito, que coração seria capaz de bombear sangue por todo o sempre, sem sofrer danos?

Ossos sintéticos pra maior resistência. Órgãos artificiais pra maior durabilidade. Chip no lugar do cérebro, pra maior capacidade de armazenamento. Pele constituída de algum metal que oferecesse mais rigidez. Só uma vacina anti-oxidação de vez em quando, pra prevenir.

Não, eu não quero mais viver pra sempre. Devolve meu escudo. Vamos recomeçar a brincadeira.