Até pouco tempo, avatar, para mim, era aquela imagem que usávamos, não necessariamente de forma realista, nos aplicativos de internet que dispunham de identificação visual. Agora, graças a um diretor estadunidense, o termo também se refere à febre azul que contagiou plateias ao redor do mundo, promovendo um espetáculo em três dimensões. James Cameron, o sujeito por trás do filme mais caro da história do cinema, como alertaram algumas manchetes, gastou algo em torno de meio bilhão de dólares para levar à telona seu projeto dito revolucionário, o seu Avatar – que, no fundo, nada mais é do que uma obra tautológica, uma ode a sua identidade mista de cineasta e investidor especulativo.

Fato é que, se não fosse numa cabine de imprensa, ou seja, na faixa, de graça, não iria me dispor a ver Avatar na tela grande e munido de óculos 3D, como manda a cartilha de cada 9 dos 10 espectadores que passaram pela experiência. Não tenho carteira de estudante e o pé de jaca perto de casa ainda não deu dinheiro. Aliás, não estava disposto nem a pagar o aluguel do disco quando o mesmo chegasse às locadoras.

Como mantenedor de um blog sobre filmes e crítico de cinema nas horas vagas, eu sabia que não teria escapatória: cedo ou tarde precisaria conferir a produção de Cameron, um dos diretores que mais desprezo, em grande parte por ter realizado uma das obras cinematográficas mais dantescas da história, Titanic. O filme-catástrofe-de-amor, que levou milhares de espectadores a naufragarem em lágrimas, me serviu de exemplo para expor o que mais repudio na sétima arte: roteiros ruins. Mais além: roteiros ruins que se repetem. Graças aos deuses do cinema, naquela época o entretenimento em três dimensões ainda não era tendência global.

Aí veio a ideia.

Eu sempre defendi a teoria de que o mais importante em um filme é o roteiro. Não tem escapatória. Cinema, com óculos 3D ou sem eles, ainda é, em sua essência, a contação de uma história. Uma vez fui questionado sobre como avaliava os filmes que via. E a resposta foi exatamente essa. Em primeiro lugar, observo como a história é contada. É possível um bom filme ter atores medianos, fotografia simples e uma trilha sonora fraca. Se o roteiro for bom, relevo o resto quase que instintivamente. Porém, a mim o contrário é impossível. Junte os melhores atores do mundo, as câmeras mais modernas, os diretores de fotografia mais badalados e uma orquestra sinfônica para compor a trilha sonora original. Se o roteiro não for bom, o malogro é certo.

Obviamente, também canso de repetir que cinema é que nem traseiro, cada um tem o seu. Eu tenho o meu. E nele, novamente, o mais importante é o roteiro. Sendo assim, não curti a ideia de ser seduzido pela tal febre azul avatariana. Não queria me comover com sequências em três dimensões, não queria me emocionar com as cores vibrantes das florestas computadorizadas, não queria me encantar pela textura vivaz dos Na’vi. Queria, sim, experimentar a história que o próprio Cameron criou e, somente depois, emitir um juízo de gosto.

Por isso, corri em busca de uma cópia pirata, pixelada, vagabunda e mal feita. Fim de semana chuvoso, crise de rinite alérgica, TV de 14 polegadas, DVD player compacto que nem é mais fabricado, Bavaria, que não chega a ser cerveja, e aquele salgadinho vagabundo que é isopor amarelo com sal. A noite estava pronta para uma bela sessão de Avatar, com todos os cuidados necessários para que a imersão na história de um belo planeta ameaçado pela ganância dos terráqueos fosse completa.

De cara, Avatar se atropela em uma espécie de prólogo que vai explicando rapidinho que o protagonista, um fuzileiro áspero, ficou paraplégico e teve um irmão gêmeo, cientista virginal, morto num assalto. Afinal, era preciso economizar tempo, já que seriam cerca de duas horas e meia de projeção. Fica claro, nas primeiras sequências, que trata-se de uma obra maniqueísta, o bem contra o mal, dispostos em lados bem delimitados. O único que consegue atravessar a linha é o tal fuzileiro protagonista, Jake Sully, que começa humano, mau, e vai se tornando azul, bom. Ou seja, o desfecho é, inevitavelmente, previsível – ainda que não seja o mais importante no filme, uma vez que Hollywood não faz uma produção milionária sem deixar ensejo para sequências.

Ao longo de Avatar, pouca coisa realmente acontece. Aqui, me refiro à ação propriamente dita. Não há reviravoltas importantes, não há revelações surpreendentes, não há diálogos trabalhados, não há clímax, não há profundidade cênica ou qualquer outro elemento de um bom roteiro. Não há, sequer, uma cena imprescindível para que o todo faça sentido. Ou seja, o espectador que tem a bexiga solta ou o cólon irritável pode se levantar para ir ao banheiro em qualquer ponto do filme, sem que isso prejudique o entendimento do argumento proposto pelo diretor.

Pelo fato de ser um roteiro que trabalha a todo instante com caracterizações maniqueísta, as atuações ficam em segundo plano. Não há como uma interpretação se sobressair quando o papel exige rubricas cartunescas para caracterizar o bem e o mal. A única empatia que o espectador cria é mesmo com os seres azuis, meio felinos, gerados por computador, espécime cuja natureza de movimentos e expressões é um diferencial, sem possibilidades comparativas a priori.

De certa forma, Avatar comprova o momento melancólico que a sociedade estadunidense atravessa. Tão melancólico, que gasta meio bilhão de dinheiros para projetar uma raça que se entrelaça com uma espécie de Mãe Natureza, tem raízes religiosas profundas e convive pacificamente com animais selvagens. Ou seja, para serem como os Na’vi, os estadunidenses teriam que viver como nunca antes quiseram, praticamente como estereotipados hippies macrobióticos, abrindo mão de iPods, Mc Lanches Felizes, carros total flex e filmes do Steven Spielberg.

Por causa desta nova necessidade de reciclar as ideias, mas sem abrir mão do capital especulativo, o sucesso de gente como Al Gore é explicado. Seus seminários ao redor do mundo tentam convencer as multidões de que há interesse em salvar o planeta, quando na verdade o real interesse é salvar um modelo econômico onde especulação e consumo continue sendo possíveis. E aí, Cameron pega carona num metadiscurso pacifista e ecológico que o permite vir ao Brasil distribuir autógrafos enquanto fala sobre meio ambiente.

Mais ainda do que precisar abrir mão de suas convicções, os estadunidenses também teriam que engolir a própria xenofobia para absorver valores que são insustentáveis para a contemporaneidade econômica que regula suas vidas.

Avatar, lá no fundo, é um filme tão triste quanto Titanic. E o mais espantoso é que toda essa tristeza é muito bem expressada pelos alienígenas tridimensionais feitos no computador. Eles sofrem, choram, se irritam. O semblante funesto dos Na’vi quando da destruição de sua árvore-moradia se assemelha ao dos estadunidenses de carne e osso quando do desfalecimento das Torres Gêmeas, sustentáculo de toda uma crença no equilíbrio social.

No fim das contas, Avatar falha como filme. O roteiro é muito ruim. Não se sustenta na empreitada de contar uma boa história. Porém, cumpre seu papel em se tornar o centro das discussões sobre o que parece ser uma nova era para o entretenimento mundial, as super produções em três dimensões – mesmo que tenha perdido a tal estatueta da academia para um filme feito em formato digital e bancado com capital estrangeiro.

Avatar é tão ou mais chato que Titanic. Sob certo ângulo, levando-se em conta o avatar de James Cameron, são a mesma coisa. Inclusive, ambos trazem uma música cafona durante os créditos finais.

Pela primeira vez na história uma Copa do Mundo de Futebol será realizada no continente negro. O país escolhido: África do Sul. Há 15 anos atrás a África do Sul sediava pela primeira vez uma outra Copa do Mundo, a de Rúgbi. Na época o evento foi usado como estratégia de união dos povos sul africanos, uma vez que a democracia se restaurara após o fim do regime segregacionista conhecido como Apartheid.

O Apartheid separou as etnias (não apenas negros e brancos, mas as etnias negras entre si, as brancas entre si e os outros povos). Depois de uma conquista recente dos territórios do norte do país os brancos passaram a ter domínio legal sobre as terras antes pertencentes às tribos negras. Com isso construíram suas cidades nos moldes europeus, onde só era permitida a entrada de negros que ali trabalhassem quase como escravos. Por outro lado, os negros começaram a construir suas cidades também. Assim existiam as cidades-brancas e as cidades-negras.

É claro que as cidades-negras não foram construídas da mesma maneira que as cidades-brancas. Os negros não possuíam recursos para tal. Com isso, a maioria dessas cidades evoluiu para o que hoje é conhecido por townships, semelhantes às favelas brasileiras, com a diferença de não estarem dentro de uma cidade e sim serem a própria cidade. São, portanto, enormes e diversas favelas no interior do país.

Com a ascensão dos negros ao poder, com a eleição de Mandela em 1994, houve a esperança de que as cidades-negras fossem alvo de melhorias, urbanização, infra-estruturação. Ledo engano! Sentindo-se traídos então pelo novo regime, dito comunista, os habitantes dessas cidades-negras ou townships (ambos termos pejorativos) resolveram boicotar a Copa do Mundo de 2010.

Diante das mazelas em que vivem, do abandono de suas cidades pelo governo, da falta de infra-estrutura básica há 16 anos prometida e da construção de grandes estádios, da reforma das rodovias que ligam as principais cidades¹ e da obra milionária de instalação de cabos de fibra óptica para melhorar o acesso à Internet (pré-requisitos exigidos pela FIFA), os moradores das townships decidiram causar tumultos nas filas de compras de ingressos. Decidiram atirar pedras aos ônibus que conduzirão os espectadores dos jogos do estacionamento ao estádio. Decidiram entrar em greve dos serviços básicos (coleta de lixo, transporte, etc.) pondo em risco a boa realização do espetáculo do futebol em terras africanas.

Meu marido comentou e eu assino embaixo: “O fracasso da Copa da África ofuscará o fracasso da Copa do Brasil!”

Nota: ¹As estradas e os estádios são obras grandiosas. Além disso começou a ser construído o Gautrain (uma referência a Gauteng a província onde se situa Johannesburg e Tshwane, antiga Pretoria), um trem que liga as duas cidades. Faltando cerca de 40 dias para o início do Mundial, e as obras ainda estão a ser completadas (se isso ocorrer).

Pensamento acerca do tempero que tanta falta faz nas prateleiras do mercado

Quando comecei a aprender meus primeiros acordes no violão, ouvi falar que atitude é o principal elemento no som de todo grande músico e que a combinação de atitude e talento era o segredo do sucesso. Durante anos acreditei nessas afirmações, mas faz tempo que minha fé anda abalada. Hoje em dia, ligo o rádio e corro o dial de um lado pro outro, procurando alguma coisa diferente das músicas sem conteúdo que são empurradas para a massa todos os dias, mas tem tanto lixo na programação das emissoras que só tenho vontade de desligar o aparelho. Às vezes, até de quebrá-lo.

Há tempos que as grandes gravadoras decidem o quê e como os artistas devem cantar, como devem se vestir e principalmente quem é a bola da vez no panorama musical, o que gera uma enxurrada de artistas pré-fabricados, com sonoridade e visual praticamente idênticos se acotovelando por quinze minutos de fama, enquanto veteranos e jovens talentos que insistem em preservar suas identidades não têm vez no mainstream. Aliás, não existe termo melhor para definir o mainstream musical do que “mercado”, afinal sujeitar os artistas a espremerem sua criatividade em três minutos e meio de música que seguem a fórmula padrão do pop estrofe I + estrofe II + refrão + ponte + refrão = hit não é promover cultura, é comércio puro. Infelizmente, cultura é o que menos importa no mercado, importante mesmo é o lucro. Desde que se obtenha lucro, não importa se um álbum tem dez músicas exatamente iguais, letras pobres que transmitem valores nocivos ou um encarte apelativo. Sim, o lucro é um fator importantíssimo, mas não deveria vir em primeiro lugar, não quando o assunto é cultura. E o que mais me impressiona em toda essa engrenagem é que, mesmo com as gravadoras perdendo terreno progressivamente por conta da maior acessibilidade aos equipamentos físicos e às tecnologias virtuais de gravação, aliada à facilidade de divulgação via internet, os supostos donos da atitude, os músicos, nada fazem para modificar o panorama. Simplesmente cruzam os braços e esperam chegar o dia quando magicamente tudo vai mudar, alheios ao fato de que as portas da senzala, há muito, estão abertas.

É inadmissível que tantos artistas cujo talento não conhece fronteiras, filhos de uma cultura musical de proporções colossais como a nossa, aceitem calados serem padronizados e vendidos como comida enlatada; e que tantos outros talentos sejam relegados ao underground por se recusarem a ter sua liberdade criativa limitada por supostos gênios da produção musical, que defendem o conceito de “quanto mais podre, melhor” visando apenas o lucro pessoal. Não é possível aceitar que um palco tão grande quanto o da música brasileira tenha apenas um microfone. Há espaço para todos e todos merecem estar no show.

Onde está a atitude? É possível parar a engrenagem, já que somos nós o combustível que a alimenta.

São muitos os profissionais que utilizam a voz como instrumento de trabalho, atores, professores, radialistas, políticos, vendedores, telefonistas, secretários, empresários, padres/pastores, entre outros, porém poucos ou, quase nenhum desses profissionais sabem como cuidar desse instrumento importante na realização de suas atividades profissionais.

Mas afinal o que é a voz?

Voz é o som produzido pela vibração das pregas vocais gerada pela passagem do ar no momento da expiração e que identifica o ser humano quanto a sua idade, sexo, tipo físico, estado emocional e personalidade.

Cuidar da voz é simples, não requer grandes esforços, somente alguns cuidados como:

  • Não pigarrear ou tossir (engolir saliva ou tomar água nesses momentos)
  • Evitar bebidas alcoólicas
  • Evitar pastilhas e sprays
  • Beber bastante água
  • Fazer gargarejos com água morna e sal antes de deitar
  • Manter postura do corpo ereta, porém relaxada
  • Não usar roupas apertadas, principalmente na região do pescoço e cintura
  • Realizar aquecimento e desaquecimento vocal antes do uso profissional e/ou prolongado da voz.
  • Evitar falar em ambientes ruidosos
  • Evitar o fumo
  • Mastigar bem os alimentos
  • Evitar alimentos achocolatados e derivados de leite (principalmente nos momentos que antecedem o uso da voz)
  • Evitar gritar ou falar por muito tempo
  • Tomar cuidado com mudanças de temperatura e bebidas geladas

 

E fique atento aos sintomas abaixo, procure um profissional da voz (otorrinolaringologista e/ou fonoaudiólogo) caso ocorram frequentemente.

Rouquidão Perda da voz Pigarro Dor ou ardência na garganta Dificuldade para engolir Dificuldade para respirar

É isso aí, cuidando desse instrumento ele não vai faltar!

 

Referências:

Disponível em: http://www.fonoesaude.org/vozprof.htm. Acesso em 10/07/2008

ARAÚJO,K.R.L. Cuidados especiais para quem utiliza a voz profissionalmente. Trabalho desenvolvido no 3º Período da UNIPÊ (Centro Universitário de João Pessoa)

Pela primeira vez na história uma Copa do Mundo de Futebol será realizada no continente negro. O país escolhido: África do Sul. Há 15 anos atrás a África do Sul sediava pela primeira vez uma outra Copa do Mundo, a de Rúgbi. Na época o evento foi usado como estratégia de união dos povos sul africanos, uma vez que a democracia se restaurara após o fim do regime segregacionista conhecido como Apartheid.

O Apartheid separou as etnias (não apenas negros e brancos, mas as etnias negras entre si, as brancas entre si e os outros povos). Depois de uma conquista recente dos territórios do norte do país os brancos passaram a ter domínio legal sobre as terras antes pertencentes às tribos negras. Com isso construíram suas cidades nos moldes europeus, onde só era permitida a entrada de negros que ali trabalhassem quase como escravos. Por outro lado, os negros começaram a construir suas cidades também. Assim existiam as cidades-brancas e as cidades-negras.

É claro que as cidades-negras não foram construídas da mesma maneira que as cidades-brancas. Os negros não possuíam recursos para tal. Com isso, a maioria dessas cidades evoluiu para o que hoje é conhecido por townships, semelhantes às favelas brasileiras, com a diferença de não estarem dentro de uma cidade e sim serem a própria cidade. São, portanto, enormes e diversas favelas no interior do país.

Com a ascensão dos negros ao poder, com a eleição de Mandela em 1994, houve a esperança de que as cidades-negras fossem alvo de melhorias, urbanização, infra-estruturação. Ledo engano! Sentindo-se traídos então pelo novo regime, dito comunista, os habitantes dessas cidades-negras ou townships (ambos termos pejorativos) resolveram boicotar a Copa do Mundo de 2010.

Diante das mazelas em que vivem, do abandono de suas cidades pelo governo, da falta de infra-estrutura básica há 16 anos prometida e da construção de grandes estádios, da reforma das rodovias que ligam as principais cidades¹ e da obra milionária de instalação de cabos de fibra óptica para melhorar o acesso à Internet (pré-requisitos exigidos pela FIFA), os moradores das townships decidiram causar tumultos nas filas de compras de ingressos. Decidiram atirar pedras aos ônibus que conduzirão os espectadores dos jogos do estacionamento ao estádio. Decidiram entrar em greve dos serviços básicos (coleta de lixo, transporte, etc.) pondo em risco a boa realização do espetáculo do futebol em terras africanas.

Meu marido comentou e eu assino embaixo: “O fracasso da Copa da África ofuscará o fracasso da Copa do Brasil!”

Nota: ¹As estradas e os estádios são obras grandiosas. Além disso começou a ser construído o Gautrain (uma referência a Gauteng a província onde se situa Johannesburg e Tshwane, antiga Pretoria), um trem que liga as duas cidades. Faltando cerca de 40 dias para o início do Mundial, e as obras ainda estão a ser completadas (se isso ocorrer).

A jovem tinha apenas duas compulsões na vida: livrarias e livros – mas só aqueles que são vendidos em livrarias, ela diria. Era incapaz de passar em frente a uma delas sem ter o ímpeto desejo de entrar. Dizia ir apenas dar uma olhadinha.

De tantas tentativas frustradas, entrava escondida com medo de alguém repreendê-la logo na porta. Sempre entrava. E quando era tarde demais para voltar atrás, sua segunda compulsão a arrebatava: os livros. Lombadas coloridas, variadas e espremidas lado a lado. Prateleiras que não tinham lugar certo para começar ou terminar. Um delicioso cheiro de página impressa que acaba de sair do forno e aguarda alguém com um apetite como o dela para o saborear.

Desistiu de se controlar. Até mesmo os livros começaram a aconselhá-la de fazer o contrário. E quando já não tinha mais forças para lutar contra livros e livrarias, viu um anúncio no jornal. Procura-se vendedoras. Foi assim, entre os livros que vendia, na livraria que a empregara, literalmente, onde encontrou a cura para a sua compulsão: a literatura.

Mesmo que ainda não possam atuar – juridicamente – como candidatos, os nomes que veremos no pleito já atuam como. E desta forma, já apresentam o tom de seu discurso.

Pessoalmente, nada me agrada em plenitude, ainda não vejo nenhum dos candidatos ou partidos acenar com um projeto de gestão, só se demonstram ambições e projetos de poder. Com ressalvas à Marina Silva, que até o momento é a candidata Poliana, que ainda se vislumbrar com a vida de candidata. Só falta o ser de forma plena, mostrando o que quer e pode fazer.

O mais interessante é que o PT já deixou claro qual será a sua linha. É evidente que no prisma popular a ideia de romper com a figura de Lula é uma possibilidade assombrosa. E essa será a condução primária do PT. Publicidades vinculadas pelo partido – suspensas logo em seguida pelos TSE – deixavam essa mensagem evidente.

A declaração de que Lula criou 15 milhões de empregos em 8 anos e que a eleição de alguém não indicado pelo presidente, nem pelo seu partido resultará no retrocesso cheira a terrorismo ideológico, a mim. Porém, a popularidade do atual governante e seu êxito em políticas sociais é um evidente calcanhar de Aquiles de todo aquele que for pleitear seu lugar.

É exatamente aqui que Serra foi inteligente – até o momento – e toda a sua coligação se mostrou medíocre. Serra optou por outro vertente de diálogo. Sua assessoria está empenhada em firmar sua imagem não de opositor de Lula, mas de alguém capaz de substituí-lo.

O exemplo disso é recente. Lula foi eleito o mais influente líder do mundo, pela Times . A assessoria de imprensa de Serra foi genial. Serra elogiou Lula antes que qualquer companheiro petista ou coligado. Há um trabalho para que Serra seja visto como o candidato pronto e não um pólo contrário.

O marketing é sensacional. A verdade é obscena. A realidade é que independente de uma vitória de PT ou PSDB, a realidade política continuará a mesma. A diferença serão as prioridades de investimento. A política cambial será a mesma. A política de juros não se alterará. A política social continuará no morde e assopra, e impostos quilométricos continuarão a ser cobrados.

Eu ainda aguardo uma alternativa. Pois, para mim, escolher entre PT e PSDB não é votar entre preto e branco, mas sortear entre dois retalhos da mesma colcha. Por enquanto, parece que as eleições não vão passar de muito carnaval para o mesmo samba. E, para isso, o PT nem precisa vencer.