Durante o dia a dia de trabalho em uma cozinha é impossível não se desapegar à comida. O alimento vira instrumento de trabalho: cortamos uma carne, picamos uma cebola, fazemos um risoto com a praticidade e naturalidade de um marceneiro martelando um prego. Isso não significa que falta amor pela profissão ou pelo alimento, ninguém suporta trabalhar em uma cozinha sem realmente gostar do que faz, mas é trabalho, rotina, repetição até que se atinja a perfeição do padrão exigido pelo chef.

É uma sexta feira em um dos mais famosos restaurantes do rio. Todos correndo para montar sua praça, deixar tudo pronto e esperando a batalha que acontece em qualquer cozinha renomada em uma noite de sexta. Normalmente quando falta pouco mais de uma hora para a abertura da casa, a equipe se desarma, tira os aventais e toques, sentam com seus pratos em mãos e comem. Entre a excessiva intimidade com a comida e o nervosismo da correria que sabemos que está a nossa frente, é comum que não exista nenhum espírito de refeição. Não estamos jantando, estamos nos alimentando, simplesmente digerindo, normalmente com pressa para dar tempo de fumar um cigarro antes de voltar pro batente.  Tomamos nossas posições, limpamos as bancadas, trocamos provocações e insultos amigáveis. Até o momento que chega a primeira mesa, primeira comanda, então cessam as risadas,  brincadeiras e conversas. “Atenção! Vai marchar!” grita o chef, então começa.

Gastronomia, capa de revista, programas de TV, glamour, etiqueta, nada disso existe em uma cozinha de verdade durante seu funcionamento. O que temos é concentração, nervosismo, suor, fogo, faca, frigideira batendo, chamas estalando e a voz do chef sobressaindo tudo isso. Orientando seus soldados através da enxurrada de comandas. É uma batalha, nossa batalha. E querem saber a verdade? Adoramos.

Pequeno dicionário gastronômico:

Praça: São subdivisões da cozinha, estações onde cada um trabalha e possui suas funções e obrigações. Exemplos: praça de carnes, praça de massas, praça de sobremesas.

Toque: Chapéu de cozinheiro.

Marchar: Comando referente ao pedido de uma mesa, registrados em comandas.

 

Fiquei surpreendido com alguns fatos decorridos da vitória de Dilma Rousseff. Havia uma crença real de alguns setores da sociedade paulista que acreditavam de forma veemente na vitória do candidato tucano.

Nada poderia ser mais surreal. Houve apenas uma única pesquisa que indicou a possibilidade de José Serra alcançar Dilma no pleito; mesmo assim, foi antes do início da campanha de segundo turno, desastrosa para Serra.

Dilma foi um pouco inferior a Serra nos debates, mas por não ter ainda o traquejo político, o timing de respostas cronometradas, simples e diretas. Isso facilitou para o tucano, que é calejado nesse esporte de debates, mas é tão verborrágico quanto Dilma. Mas seu timing e considerações finais eram melhores.

Porém o debate não possui mais o mesmo peso que teve outrora. A campanha eleitoral já havia consolidado algo de forma intensa na mente de boa parte do eleitorado que dificilmente o debate decidiria em favor de Serra; Dilma se tornou a extensão de Lula.

Não que ela realmente seja. Dilma não possui o carisma do presidente operário, não possui o poder que Lula tem sobre o PT, tampouco possui seu traquejo político. Dilma possui sua maior qualidade no modo operacional. Ela executa funções de modo excepcional.

Tanto que a função de politicagem da Casa Civil não foi exercida por ela, em fato. Dilma atuou mais próxima do poder de execução, integração e coordenação de ministérios. Também possuiu um papel fundamental em aproximar o governo federal de prefeitos da base aliada, o que de certa forma facilitou a aliança de partidos menores ao entorno de seu nome e gerou o racha do PMDB, por questão de desfavorecimento de prefeituras  administrada pelo partido da região Sul e no Estado de São Paulo.

A gestão Dilma será a mais interessante, do ponto de vista partidário, que as de Lula e FHC. Nela, o PT realmente exercerá um poder de gestão mais forte. Lula ocupou um espaço muito grande no poder. Ele podou e muito o PT. Podou ainda mais quando seus partidários encabeçaram escândalos. E a gestão FHC era centrada em uma elite cultural USPiana que traiu as próprias aspirações ideológicas que rodeiam seu nome.

Dilma não é Lula, por isso precisa de uma base de sustentação muito maior. Os cabeças do PT terão poder de ação superior ao que tiveram nos últimos anos e isso assusta a algumas pessoas. Pessoalmente, eu fico curioso. Creio que é neste momento que iremos descobrir o que é o PT sem a figura de Lula, qual é seu real posicionamento, qual sua ideologia, como o PT realmente pensa a democracia.

No final, Dilma não ganhou apenas porque Lula a lançou, apoiou e batalhou por sua campanha. Dilma não ganhou apenas por ter tido uma campanha de excelente nível técnico. Não convém discutir se era melhor ou pior candidata. Mas é fundamental entender que ninguém se mostrou como real alternativa a gestão atual.

Marina era uma terceira vertente que saiu do PT, era um rosto pintado de verde, mas erguido no vermelho. Serra nada mais é que o continuísmo do que já temos. Porém, Serra e o PSDB se esqueceram que o povo viu que Lula e o PT seguiram o crescente do país, mas de forma mais intensa, de forma mais visível para o povo. PT não ganha por causa do bolsa-família. O PT ganha porque a lembrança que o povo tem anterior a do benefício é turva.

O povo não enxerga o crescimento do país como um processo que nasce na gestão Itamar Franco. O povo vê algo quando sua vida está melhor de forma prática. Tudo que veio antes, é denotado como sofrimento. E a linguagem do PT explora isso de forma eficiente.

PSDB não sabe se assumir como forma deste processo. Fala no economês, fala que o PT unificou benefícios. O PT, mostra a expansão do benefício, mostra o crescimento do nordeste e norte. Regiões que hoje decidem eleições.

O problema se encontra aqui. O PSDB não entende que o povo optou pelo PT não porque ele seja tão diferente. Mas porque ambos se propõem a fazer a mesma coisa. O povo não vê tanta diferença entre os políticos. Para ele, tirando o Lula, é tudo a mesma corja. Mas o povo sente, pelas suas memórias, pelos seus sentimentos e por aquilo que foi ressaltado pelo discurso pela campanha que o PT fez melhor a mesma coisa que o PSDB se compromete a fazer.

Ai, então, ficou fácil, ficou simples. Vai ter escândalo? Com azul ou vermelho tem. A vida vai continuar difícil? Fosse Serra ou fosse Dilma, iria. Ficou fácil quando o candidato de azul é o mesmo com as mesmas falas desde 2002. Foi só votar igual.

Já estava óbvio. Só Serra e seu marketeiro não quiseram ver.

 

No feriado de 12 de outubro visitei o país vizinho e ADOREI!!! Foram 5 dias na capital Buenos Aires e SIM, as carnes argentinas são maravilhosas! Para os amantes de uma boa carne (principalmente “jugosa”- mal-passada) a cidade é , literalmente , um prato cheio.

La Cabrera – um dos lugares onde se pode comer a tradicional parrilla argentina e ainda desfrutar de um visual bem aconchegante e rústico. Peça também de entrada a provoleta com jamón, tomates secos e pesto…você não vai se arrepender!

Provoleta
Provoleta
Ojo de Bife
Ojo de Bife

El Palácio de La Papa Frita – aqui a pedida é uma boa carne (Lomo, Bife de Chorizo) e as batatas fritas…elas são estufadinhas, uma delícia!

Helados Jauja – esqueça tudo que já te falaram de sorveteria em Buenos Aires (inclusive a mais famosa Freddo) , se você quer um bom sorvete e se arrisca em sabores diferentes (alguns exóticos) esse é o lugar. A sorveteria é especializada em frutas da Patagônia.Minha sugestão é o sorvete de Maqui com leite de ovelha.

Jauja

Café Tortoni – o café mais antigo do país e outrora reduto de figuras como Carlos Gardel (em cima funciona o Museu Nacional do Tango) não pode ficar de fora do tour. Dependendo do horário há uma pequena fila para entrar, porém para quem gosta de cafés e história vale a pena. Cuidado com o churros que acompanha o chocolate, não é igual ao que estamos acostumados, um pouco mais durinho e quase salgado.

Café Tortoni

Buller Pub – para quem está acostumado a freqüentar pubs nada de diferente, porém essa degustação de cervejas de fabricação própria, num dia de sol em plena Recoleta é uma boa pedida.

Buller Pub

El Trapiche – a surpresa da casa foi o atendimento bom e simpático (coisa rara em Buenos Aires), a carne (entrañas – não, não é miúdo ou coisa do tipo, segundo o garçom “és toda la pança”) e a sobremesa (Uma bola de sorbet de limão mergulhada em uma generosa taça de champagne).

El Trapiche

Serviço:

La Cabrera – http://www.parrillalacabrera.com.ar

El Palácio de La Papa Frita – http://www.elpalacio-papafrita.com.ar

Helados Jauja – http://www.heladosjauja.com

Café Tortoni – http://www.cafetortoni.com.ar

Buller Pub – http://www.bullerpub.com

El Trapiche – Paraguay 5099 – Palermo

 

Onde todos nossos sonhos se perdem

É possível encontrar fantasias rasgadas

De outros carnavais

Os muros que cercam o lugar são rosados

E possuem figuras pintadas em suas faces

São rostos em tons de azul e roxo

Que expressam mil faces e expressões diferentes

As árvores que brotam em seu interior

Só florescem uma vez por ano

E de seus frutos nascem os nossos desejos

Mas logo apodrecem e caem

Deixando-nos a esperar outra vez

Longe da verdade, sem sabermos que

É impossível mantê-los vivos por mais tempo

E, então, devorá-los num só fôlego.

 

Um dos dias mais vazios e estranhos que eu já vivi foi, precisamente, o 8 de maio de 2004. Naquele fatídico sábado, em Londrina, no estado do Paraná, minha banda preferida, os Pixies, fazia um show após anos de recesso. Na qualidade de jornalista pós-recém-formado, sem dinheiro na conta, lamentei em silêncio. Aproveitei o luto para fazer uma espécie de promessa: o show seguinte em terras próximas – leia-se aí América do Sul – não passaria em branco. Era uma resolução, um objetivo.

E, assim, dia desses, no Twitter, os Pixies anunciaram uma turnê, justamente, vejam só, pela América do Sul. Primeira cidade contemplada e confirmada: Santiago, no Chile. Catei o tabuleiro do War, coloquei meus exércitos de prontidão e joguei os dados: dinheiro, dessa vez, eu tinha. Alforria paternal, também. Nem precisei jogar os dados para saber se minha mulher queria ir comigo. Ora bolas, foram anos de catequese ao som de tudo o quanto era álbum, EP, DVD, bootlegs e afins. Até camisa da banda ela tem.

O chato é que o show fazia parte de um festival, montado em uma chácara nos cafundós da capital chilena. Quem frequenta festivais bem sabe: cada banda toca, mais ou menos, míseros 45 minutos, em média. Normalmente, é programa bom para quem procura quantidade. Outro fator que causou estranhamento foi que o tal festival incentivava uma espécie de congregação ideológica de cunho ambiental, incitando as pessoas a acampar. Eu tenho pânico de acampar, em grande parte por experiências traumáticas com gnomos, duendes e hippies.

Porém, para o meu espanto, veio a notícia na internet: os Pixies também iriam tocar em Itu, a cidade no interior paulista em que tudo é grande. Até a pretensão dos organizadores do tal festival assim era: queriam eles fazer uma espécie de Woodstock caipira, com direito, novamente, a fomento à prática do camping e mensagem ecológica. De fato, era mais barato ir à terra das grandezas do que até Santiago.

E, na semana seguinte, veio a confirmação de outra cidade latina: Buenos Aires. Mais interessante que Itu, me perdoem os ituanos. Melhor ainda: eram só os Pixies, a noite inteira, num ginásio tradicional da cidade. Nem precisei pegar o tabuleiro do War novamente. Fiz as contas, pesei os prós e contras, peguei minha mulher pelo braço e disse:

“Cariño, nosostros vamos a Buenos Aires para el concierto de los Pixies.”

Comprei os ingressos e as passagens com bastante antecedência. Deu tempo até de contagiar mais um casal de grandes amigos, Beto e Camila (ele um aficcionado por Pixies como eu, ela ainda não apresentada formalmente à banda). Iríamos não só ao show mais importante das nossas vidas, mas também aproveitaríamos os bons ares da capital argentina. Simplesmente sensacional!

E lá fomos nós, com nossos pacotes turísticos devidamente comprados, nossas malas devidamente arrumadas e nossas fichas ainda a cair. Enfrentamos uma viagem bastante cansativa, que começou às 6 horas da manhã. Três conexões e algumas horas de atraso depois, lá estávamos em Buenos Aires, exaustos, a poucas horas do show. Não deu tempo nem de escolher uma roupa especial. Descemos a Avenida Corrientes a pé até Puerto Madero para retirar os ingressos na bilheteria do Luna Park. Com os ditos cujos em mãos, as tais fichas começaram a cair.

Puta que pariu! Eu ía ver os Pixies ao vivo. Sentamos num restaurante bacana, pedimos uns belisquetes e bebemos umas cervejas – poucas, pois queria estar sóbrio e de bexiga vazia no momento do show.

Quase que pontualmente, lá para as 20h:30 do dia 6 de outubro de 2010, os Pixies subiram ao palco. Começaram com “Bone machine”, faixa que abre um dos álbuns mais instigantes do rock alternativo, Surfer Rosa. Ao longo das quase duas horas de apresentação, foram tocando só os clássicos – o que, no meu entender, é um pleonasmo, já que todas as músicas, inclusive as que ficaram fora do set list, são clássicas.

Têm noção? Foi o único show em que eu sabia cantar todas as músicas. Quase duas horas de apresentação, três bis, sendo o último de luzes acesas, numa tentativa desesperada dos organizadores em pôr fim ao entusiasmo desenfreado dos fãs que lotaram o Luna Park. Aliás, o clima da última canção foi digno de nota. Foi como fazer sexo de luzes acesas: há que se ter cumplicidade para que isso aconteça. Eu e minha mulher, abraçados, cúmplices. Cantei, emocionado, com olhos marejados e voz embargada, “Wave of mutilation (UK surf)”. Foi um momento sublime, no qual entendi por que as fãs de sertanejo universitário gritam e se descabelam durante as apresentações de seus ídolos. Embora fosse diferente comigo. Estava na minha, no meu canto, numa boa, civilizadamente rodeado por gente que também gostava dos Pixies e nem por isso puxavam os próprios cabelos aos berros.

Quando o show terminou, eu estava completamente exausto. Tão exaurido, que passei os outros dias de viagem com o corpo debilitado. Todas as noites, queimava em febre no quarto do hotel. Mas foda-se, né? É, foda-se. Foi um dos dias mais felizes que eu já vivi esse 6 de outubro de 2010 – perde de lavada para o dia em que minha filha nasceu, mas foi um dos mais felizes ainda assim, intenso, incrível, inesquecível.

Eu podia aqui falar sobre a música dos Pixies. Ficaram faltando alguns parágrafos, nesse enorme relato, sobre isso. Algo que explicasse essa minha devoção ao som que eles fazem. É que os Pixies sempre foram um pouco mais do que somente música para mim. É atitude, transgressão, poesia, arte etc. Posso dizer que grande parte da minha formação intelectual se deu através dos discos e da música do quarteto estadunidense. Escuto a banda desde os meus tenros 15 anos. Quando comecei a tocar guitarra, enquanto meus amigos queriam ser Joe Satriani e Steve Vai, eu queria ser Joey Santiago. O primeiro beijo na mulher que hoje é a mãe da minha filha foi ao som de “Where is my mind?”. Minha longboard, feita sob medida, tem o nome e a logo da banda cravadas nela.

Ainda preciso explicar o som dos Pixies?

 

Canetas

Pegar uma caneta e rabiscar algo: situação comum que nos acompanha desde antes dos tempos de escola. Mas nem sempre foi assim, fácil. As primeiras escritas foram feitas com objetos de madeira ou ossos pontiagudos que marcavam tijolos. Na era do papiro usavam-se objetos – como penas de ganso e bambu – molhados em tintas vegetais. Tempos depois surgiram outros modelos que foram aperfeiçoados até a maneira que conhecemos hoje.

Para muitos profissionais é uma preciosa ferramenta, necessitando estar sempre à mão. Para poucos representa capricho, estilo, coleção. Para outros, inspiração: facilita o processo de transformar pensamentos e sentimentos em letras num papel. Caneta é um objeto simples que pode custar de centavos a milhares. Pode ser industrializada, artesanal, improvisada e, agora, ecológica.

No mercado já existem disponíveis modelos feitos com material reciclado, como: papel, papelão, embalagens tetra park, pet, serragem de madeira, reflorestamento de eucalipto, etc., e material plástico biodegradável. A principal diferença é que a embalagem de uma caneta comum pode demorar 400 anos para se decompor na natureza. As canetas biodegradáveis levam em média 180 dias.

A função é a mesma. A vantagem é que a utilidade e a inspiração podem se unir à responsabilidade.

O planeta agradece!

 

Referências:

Plásticos Biodegradáveis:

http://www.resbrasil.com.br/

http://www.youtube.com/watch?gl=BR&hl=pt&v=LBIt-iJC_NU

Canetas ecológicas:

http://www.canetasecologicas.com.br/

Bic ecolution:

http://www.bicgraphic.com/servlet/OnlineShopping/bgb?DSP=670

 

Cinco amigos,
e todos leoninos
palmas para julho!

Como possível era sobreviver em meio às feras, ela sabia. Eles eram os favoritos do seu inverno. Sem sua licença poética ela diria que dos cinco, dois são de agosto; sem falar naqueles de maio e de novembro, mas aí seria outra poesia. Amigo bom é amigo presente, ainda que apenas no coração. Tantos leões na América do Sul é coisa rara; mas amigo também é coisa rara.

A vida é rara, e isso ela já sabia.