É um filme…

Vai se tornar cult (se já não for)…

E não é apenas bom…

É Alucinógeno!

É uma mistura de ficção, religião, ilusão, romance, críticas a sociedade, e ainda conta com uma das melhores trilhas sonoras baseadas na década de 80, onde as músicas tocam quase inteiras, e o filme, se transforma em belos clips musicais…

Se você como eu, é daqueles que gostam de pensar no final do filme, que tal pensar durante o filme inteiro?

Em Vanilla Sky…

Era tudo um sonho? Tudo realidade?

Em Planeta dos Macacos (2001 – Tim Burton)…

Eles estavam no Planeta Terra?

Em Blade Runner – O Caçador de Andróides…

Ele era um andróide?

Em Efeito Borboleta…

Ele era Louco?

Pense bem…

Tem certeza?

O filme Donnie Darko, consegue ser tão distinto, e bom, que é impossível formular apenas uma pergunta ao término da projeção… E eu, maluco que sou, não quero acreditar que o final seja o que eu entendi…

O filme nos deixa continuar buscando respostas…

Eu continuo…

 

Donnie Darko: – Por que você usa esta máscara idiota de coelho?

Coelho Gigante!?: – Por que você usa esta máscara idiota de humano?

 

E falando em música, se você não quiser assistir ao filme, ouça a sua trilha sonora! E lamente junto comigo as músicas que escutamos hoje em dias nas nossas FMs da vida…

1. INXS- Never Tear Us Apart
2. Tears For Fears- Head Over Heels
3. The Church- Under the Milky Way
4. Sam Bauer & Gerard Bauer- Lucid Memory
5. Gerard Bauer & Mike Bauer- Lucid Assembly
6. Giulio Caccine & Paul Pritchard- Ave Maria
7. Steve Baker & Carmen Daye- For Whom The Bell Tolls
8. Quito Colayco & Tony Hertz- Show Me (Part 1)
9. Duran Duran- Notorious
10. Oingo Boingo- Stay
11. Joy division- love will tear us apart
12.
Echo & The Bunneymen- The Killing Moon


P.S. Há uma continuação intitulada S. Darko que ainda não tive ‘coragem’ de assistir.

 

Eu sou igual criança quando acaba o Natal. Fico tristonha, conto os dias pro próximo e o ano que segue vira uma eterna espera.

Tenho até meus motivos para não gostar tanto dessa data, mas talvez por ter essa festividade como algo tão especial que tenha sido capaz de suportar os motivos que poderiam te-lo estragado.

Tenho coleção de enfeites de natal. Cada ano invento um tema diferente para decorar minha árvore (esse ano foi verde e dourado, mas o vermelho teve que acabar entrando pra complementar).

Uma das coisas que mais amo nessa época são as músicas natalinas, internacionais e ou nacionais.

Inclusive não estranhe se em pleno Junho entrar no meu carro e estiver tocando um belo cd de natal… rssss

Sendo assim vou deixar aqui uma pequena contagem regressiva musical. Espero que gostem!

Hora e meia nos deparamos com situações que colocam em xeque a velha máxima de que, apesar do racismo ser realidade em nosso país, não temos uma cultura racista, ou seja, o mal existe, mas deve ser tratado como questão individual e não social, pois racistas se mostram presentes em qualquer lugar e devem ser coibidos através de lei, etc, etc, etc, e, em âmbitos gerais, o brasileiro não é racista. O americano sim, o brasileiro não, por causa disso, mais isso e aquilo, que você, leitor, deve estar cansado de ouvir ou mesmo repetir por condicionamento.

O programa Roda Viva de 4 de setembro, apresentado pela TV Brasil e disponível na internet, protagonizou uma dessas situações. O entrevistado era o sociólogo Demétrio Magnoli, crítico das cotas raciais e de políticas que incentivam um “racismo de Estado”, onde seres humanos são etnicamente definidos em lei pela cor da pele ou ancestralidade, como acontece nos Estados Unidos. Segundo Magnoli, a segregação oficializada encorajaria outra de cunho social de maneira inédita em nosso país, afastando-nos de nossa natureza etnicamente gregária, onde, no fundo, não dividimos pessoas em “raças” durante nosso interagir cotidiano. Lá pelo terceiro bloco do programa, o escritor Paulo Lins desafiou essa visão, e seu desafio culminou numa saia justa quando o mesmo declarou que todos na mesa sabiam porque ele era o único negro presente, enquanto, por trás das câmeras, havia muitos outros cumprindo funções subalternas. O mal-estar durou uns minutos até que ele e a apresentadora Marília Gabriela achassem um jeito de contornar a situação.

A dissonância entre Lins e Magnoli é a dissonância entre o Brasil das palavras e o dos fatos. Todos sabem que não existe raça. A genética já mostrou isso. Mas daí a imaginar que os costumes assimilaram ou assimilarão essa idéia em breve é outra história. O caráter cultural – em vez de natural – da etnia não diminui sua força de verdade, não nos faz reprogramar nossos inconscientes e apagar a carga histórica que nos foi implantada e para a qual servimos como elos no leito de um rio gigante iniciado muito antes de nascermos. Podemos sim, influenciar o fluxo e o direcionamento desse rio para as gerações seguintes, mas a discussão do tema não se limita a um futuro longínquo, a como será a vida dos netos e bisnetos de quem, no presente, requisita o auxílio de ações afirmativas. Em suma, não dá para falar no tema sem considerar a existência das “raças”, ou “cores”, ou “etnias” do Brasil, ainda que elas habitem mais a informalidade das relações do que os postulados e papéis timbrados. Isso não as torna menos presentes, ou reais. Pelo contrário. O que é a lei do papel sem a prática? Melhor o oposto, não? Admitir nossas idéias de cor, ainda que difusas ou contraditórias, nossos “quadros étnicos” para que se neutralize seu poder segregador no Brasil “de carne e osso” e se crie uma igualdade real em vez de abstrata, mesmo que para isso seja necessário realçar diferenças em vez de camuflá-las sob a fachada da miscigenação “que não vê cores”. A revista Raça Brasil, quando contrabalança a ínfima presença negra em publicações “multiraciais” de caráter similar, faz isso; e não é racista, como muitos dizem. A multiracialidade brasileira é uma verdade, como também é sua natureza desigual. Ela não prega as virtudes de todas as “raças” de modo equidistante, por exemplo. É viciada. Torta. Contaminada com séculos de um Brasil envergado, escravista, cheio de “complexos de vira-lata”, racista nas linhas e entrelinhas por duzentos motivos. Enumerar esses motivos, as diferenças, o tratamento diverso para com cada componente de nossa idolatrada mistura não é atentar contra a mistura, mas contra as injustiças que ela abriga.

A rota principal para se fugir dessa questão é mantê-la no âmbito individual. “Existe racismo no Brasil, mas o Brasil não é racista.” Quando dizemos isso, afirmamos categoricamente que o racismo é um problema do outro, não meu, não “nosso”, e isso funciona como um álibi para mantermos seu lado institucional intocado. O grande racismo a se combater no Brasil não é o de meia dúzia de neo-nazistas, que levam a culpa por todo o resto, mas o do dia-a-dia, da “patroa e empregada”, da Casa Grande e Senzala, onde todos “se dão bem” e cada um conhece seu lugar. “Sinhozinho”, “coroné”, o Brasil colonial que se repete na letra miúda do cotidiano. O olhar torto de desprezo, o guarda desconfiado, uma frase mal dita ou interpretada, idéias de limpo e sujo, feio e bonito, burro e inteligente, “melhorar a raça”, cabelo ruim, elevador de serviço, exclusão dos referenciais de desejo coletivo refletidas na auto-estima de quem neles não se vê, admissão de um negro para excluir os demais “sem ser racista”, cabeças baixas por inércia, postura indignada quando o preto foge do script, e, claro, a irrupção do racismo coletivo velado no comportamento individual declarado. Nessa hora, vemos a sujeira sair e culpamos o autor, que, na maioria das vezes, era só mais um elo da grande rede, não tão diferente dos demais, mas que se permitiu romper. O racismo da rede cai matando sobre ele; expurga-o de seu seio para purificar a imagem e a idéia que tem de si, mostrar-se correto, “do lado bom”, e que o racista era uma exceção. Não era. E enquanto nossa relação com esse preconceito se limitar aos flagrantes, aos “casos isolados”, manteremos sua força no inconsciente coletivo que ampara as palavras do detrator. No fundo, pouco mudará, a não ser para quem cometeu o pecado de quebrar o silêncio. O problema de saias-justas como a do Roda Viva é o medo que todos têm de ser o próximo, e nos esquecemos que o mal maior não é o indivíduo, mas as idéias que ganham vida dentro dele e transitam impunes depois do “hospedeiro” ser exposto. Não defendo, claro, a não-punição para o crime de racismo, previsto em lei, já que se deve atribuir reponsabilidade ao autor por sua coduta e papel na manutenção do estado geral das coisas. Tampouco alego que somos racistas em igual proporção. Somos, sim, igualmente vítimas de um mesmo “ar cultural” que carrega o veneno em suas entranhas e nos faz absorvê-lo na educação e interação, comumente sem saber, até que, em ato falho ou descontrole, o racismo emerja da fonte mais insuspeita. Talvez nem ela conhecesse esse seu lado. Por isso, é insuficiente atribuir aos flagrados todo o peso de um problema que possui seu lado pessoal, mas tem raízes e causas culturais. Se não as conhecemos, fica complicado combatê-las com a postura individual adequada, e acabamos por alimentá-la com o silêncio ou com discursos vazios.

 

Toda vez que me pego a falar sozinha
É a você que me dirijo
Toda vez que me pego a pensar em alguém
É em você que me inspiro
Toda vez que me pego a escrever sem querer
É pra você que dedico
Toda vez que me pego a sonhar acordada
É com você meu delírio

Posso não vê-la
Mas sei quando aqui estás
Seu cheiro,
Seus passos,
Seu calor

Posso não vê-la
Mas adoro quando estás comigo
Seu perfume,
Sua voz,
Seu toque

Posso não vê-la
Mas adoro seu sabor
O contorno do teu rosto
Suas mãos
Seu amor.