Uma menina moça
Com batom pinta a boca
Belisca a bochecha pra ficar rosa
E calça sapato alto pra ir à feira

Uma menina moça da sorriso de graça
A conversa é sempre alta
E a saia florida rodada

A menina moça sonha sempre
Com o príncipe que não chega
Parece que atrasa
Mas na verdade não existe

Tenho amigos guarda-chuva. Aqueles que não convivem comigo diariamente, mas que estão sempre por perto quando o tempo fecha. Basta o clima esfriar ou as nuvens começarem a se formar para que eu imediatamente me lembre deste amigo que nem sempre está por perto, mas que tem hora certa pra chegar.

Meus amigos guarda-chuva não se incomodam de ser esquecidos de vez em quando. É normal deixá-los de lado por um tempo pois não fazem parte do meu dia-a-dia. Eles sabem o quanto são necessários e de como preciso deles ao meu lado de vez em quando. São amigos de momento.

Amigos guarda-chuva são aqueles que protegem e resguardam. Aqueles os quais esquecemos e lembramos. Imprescindíveis e necessários. Protetores e zelosos. Pequenos ou exagerados. Monocromáticos e coloridos. Tenho amigos guarda-chuva de todos os tipos. Aqueles que no dia-a-dia até atrapalham, mas que em certos momentos fazem uma falta danada. Devíamos ter sempre um amigo guarda-chuva na bolsa para os dias em que o clima muda de repente. Para dias de trovões e chuva forte.

Somos amigos do tempo. Amigos que nem sempre se falam quando o sol está claro e o céu límpido e aberto. Mas amigos que sempre se encontram quando os primeiros pingos de chuva atingem o solo. Amigos guarda-chuva estão sempre preparados. Seja para garoa ou tempestade. Seja para vento forte ou chuva fina. Amigos guarda-chuva sabem que não são esquecidos de propósito, pois confiam em na necessidade desta amizade.

Amigos guarda-chuva aparecem de novo em nossas vidas quando a gente menos espera…

 

A Copa terminou com um saldo positivo para a África do Sul. A promessa de apoio do presidente da FIFA Joseph Blatter para qualquer cidade sul-africana que se candidatar a realização dos Jogos Olímpicos de Verão. Segundo Blatter, um país capaz de sediar uma Copa do Mundo de Futebol é igualmente capaz de realizar os Jogos Olímpicos.

São três cidades que poderiam se candidatar: Durban, Johanesburgo e Cidade do Cabo. Durban é a capital dos esportes da África do Sul, e possui boa infra-estrutura esportiva, desconheço sua infra-estrutura urbana. Johanesburgo, por outro lado, possui boa infra urbana, e igualmente desconheço sua infra-estrutura esportiva. Cidade do Cabo seria o meio termo entre as duas opções anteriores.

É difícil prever qual destas seria realmente candidata, mas há uma tendência maior por Durban, por possuir essa característica desportiva mais acentuada que as outras duas.

Além disso, a África do Sul se mostrou competente na realização do grande evento. Houveram falhas estruturais e organizacionais, mas o balanço final foi de sucesso. Os atentados previstos não ocorreram, ou foram minimizados pela festa. Os casos de crimes contra os turistas apresentaram índices reduzidíssimos, diante da população destes presente no país.

Os sul-africanos se mostraram hospitaleiros e felizes em receber em sua terra tantos povos. Houve um sentimento geral de que o aumento de turistas aumentará conseqüentemente a renda no país, além de desmistificar a África do Sul como a terra do Apartheid, da Aids e do estupro.

Aos que vieram assistir a Copa, puderam encontrar uma excelente variedade de atrativos naturais e culturais a serem visitados, por um preço acessível. Parques e reservas de animais, privadas ou públicas; museus que contam desde a história belicosa do país, até a história da navegação mundial; cadeias montanhosas que permitem visuais magníficos, com esplendidas quedas d’água e trilhas; e experiências riquíssimas, como: mergulhar com tubarões brancos, brincar com filhotes de leões, “apostar corridas” com guepardos, conhecer onde viveram os primeiros hominídeos, passear nas costas de um elefante, entre outras coisas.

Confesso que estava pessimista, mas essa experiência me permite imaginar que a Copa do Brasil será também um sucesso, e que os investimentos realizados para a sua realização retornem com o aumento de visitantes ao país. Vamos enxergar longe! E que assim seja.

 

O seu quarto já não é grande o suficiente para o seu talento? As rodinhas de violão já não dão o mesmo barato que costumavam dar? Seus vizinhos já não chamam a polícia quando você começa a tocar? Talvez seja hora de atender ao chamado do banquinho e alçar vôos mais altos noite afora! Mas não se iluda achando que é só sentar no banco e ir tocando, a noite é traiçoeira e os incautos são devorados vivos antes mesmo do primeiro refrão. Pensando nos pobres pés inexperientes dos jovens membros da Geração Coca Zero, ávidos por seus primeiros passos no caminho do músico profissional, resolvi passar adiante o conhecimento que adquiri colhendo alguns louros (e muitos pepinos!) através deste pequeno guia de como sobreviver na selva dos bares da vida. Não saia de casa sem ele!

1. O INSTRUMENTO

Quando se pensa em música de bar, a maioria das pessoas visualiza uma pessoa sentada em um banquinho, cantando e tocando violão. Ok, essa é uma cena muito comum na maioria dos bares, mas não é regra. Pode-se ter mais de um músico e outro instrumento que não seja o violão, desde que seja um instrumento harmônico (ou seja, um instrumento que possibilite tocar acordes. É por isso que vocês nunca verão em um bar um show de trombone de vara e voz ou coisa parecida), como o piano, por exemplo. Se você toca um instrumento harmônico e não canta, arrume um vocalista. Se você canta e não toca instrumento algum, arrume um instrumentista. Se você canta e toca piano, procure um bar que tenha o instrumento ou arrume uma boa equipe de carregadores que não cobrem muito caro, porque isso vai sair do seu cachê. Ou arrume um teclado, é uma solução mais barata. O que realmente importa é que o instrumento harmônico que você vai levar para o bar não pode ser nem muito vagabundo nem top de linha, porque um instrumento vagabundo não vai produzir um bom som e um instrumento top de linha é muito visado e pode lhe ser roubado na saída do trabalho. Escolha com sabedoria.

2. O EQUIPAMENTO DE SOM

Há música ao vivo em pelo menos 70% dos bares do país, mas menos de 30% desses estabelecimentos possuem o equipamento necessário para que se tenha música. E 100% desses proprietários dirão que cada músico gosta de trazer seu próprio som (como vocês sabem, nada me deixa mais feliz do que carregar caixas de som, mas não estamos falando de mim aqui), logo, se você foi contratado para tocar em um estabelecimento que possui som próprio, erga as mãos e agradeça à sua divindade favorita pela graça alcançada. Se você não conseguiu esse feito raro, como a maioria de nós, meros mortais, é bom investir em equipamento. Infelizmente o preço do equipamento completo é um tanto alto para quem está começando. Alugar parte do equipamento e comprar o essencial (o seu instrumento harmônico, um microfone e bons cabos) é uma opção, mas isso pode sair do seu cachê. Ou não, depende do seu acordo com o dono do bar. Tente sempre jogar essa pepinosa para cima dele!

3. O REPERTÓRIO

Uma coisa que todo músico tem que colocar em sua cabeça antes de acomodar suas nádegas no banquinho é que, apesar dele se considerar um artista, a maioria das pessoas que estão no bar está pouco se fodendo para isso. Com amor, carinho e Sazón, claro! A maioria das pessoas vai aos bares para beber, namorar, encontrar os amigos, paquerar e, por acaso, você está lá fazendo o fundo musical para isso tudo, mais ou menos como um rádio que atende pedidos. Então não fique chateado se as pessoas não aplaudirem todas as músicas que você tocar, porque isso não quer dizer que eles não estão gostando da sua apresentação ou que não estão prestando atenção. Você já viu alguém aplaudindo um rádio toda vez que toca a música que essa pessoa gosta? Escolha as músicas com sabedoria e eles aplaudirão! Misture os sucessos atuais com os clássicos, toque no repertório aquela música que não é tão conhecida assim, mas que faz as pessoas balbuciarem a letra. Todo mundo gosta de um repertório com surpresas, mas dentro de um contexto. Tocar Metallica no meio de apresentação de samba é, por exemplo, o tipo de surpresa que você deve evitar ao máximo. Se você compõe suas próprias músicas, toque-as e diga que são suas! Mas com parcimônia. Lembre-se sempre: enquanto seu nome não estiver escrito com letras garrafais nos letreiros das grandes casas de show, ninguém vai pagar para ouvir um show autoral seu no bar. Talvez sua mãe, seus amigos e aquela menina ruivinha que é secretamente apaixonada por você desde a 6ª série, mas a maioria das pessoas não vai pagar e são essas as pessoas que você precisa agradar para pagar as suas contas. Então, bota o galho dentro e toca Raul!

4. O TEMPO DA APRESENTAÇÃO

Não existe uma regra exata para o tempo de uma apresentação de bar, geralmente combina-se antes com o proprietário. A maioria das casas pede entre duas e quatro horas de música, mas há locais que pedem uma hora e já vi alguns pedindo seis horas de show. Se você tem amor aos seus tendões e pregas vocais, fuja das maratonas como o Felipe Melo foge de quem assistiu Brasil x Holanda. Se o dono do bar não estipular uma duração, sugira uma apresentação de três horas com um intervalo de trinta minutos no meio. Nem muito curto nem muito longo, na medida.

5. O CACHÊ

Por último, o tópico mais controverso: a hora do biro-biro. A tabela de cachês do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro diz que, atualmente, todo músico que se apresenta na noite carioca deve receber R$362,00 por apresentação. Antes que você diga “Uau! Com quatro trabalhos fixos por semana, em pouco tempo eu posso comprar um carro, uma casa e propor casamento à menina ruivinha”, a coisa não é bem por aí. Infelizmente o músico profissional não é tão valorizado no Brasil e não é todo dia que recebemos esse valor. Muitas casas trabalham com couvert artístico, que em 90% dos casos é uma forma que os proprietários têm de tirar o seu da reta na hora de pagar o músico. Se você conseguiu arrumar um trabalho que paga a tabela do seu estado ou um valor fixo bem próximo desse número, erga as mãos e agradeça à sua divindade favorita pela graça alcançada. Se você arrumou um trabalho que pagará seu cachê através de couvert artístico, é bom saber contar. Contar o número de pessoas que entraram na casa durante a apresentação e multiplicar pelo valor do couvert para ter uma idéia geral de quanto vai cair no seu bolso e contar com a sorte para que o dono do bar seja honesto e repasse toda a grana.

Por enquanto é só, p-pessoal!

A primeira impressão é a que fica! Um currículo bem elaborado é um diferencial que poderá não apenas estimular o entrevistador a convidá-lo para participar de um processo seletivo, mas também diferenciá-lo dos seus concorrentes, portanto, investir tempo e prepará-lo com capricho não é nenhum tipo de perda de tempo, mas sim uma importante estratégia para sua recolocação. Sendo assim segue algumas dicas de como elaborar seu currículo e evitar algumas incoerências que podem eliminá-lo em um processo seletivo:

  1. Os “Dados pessoais” colocados no início de um currículo facilitam a identificação do candidato. É totalmente desnecessário colocar número de documentos como CTPS, RG, CPF ou referências pessoais, exceto quando solicitado pela empresa. Geralmente documentos são solicitados em etapa de admissão. Antecipá-los em seu currículo passa freqüentemente a imagem do famoso “encher linguiça”.
  2. Crie um e-mail com topografia profissional. Evite e-mails do tipo Boy_pegador@provedor.com.br, edugostosao@provedor.com.br, vivian_gata_da_nigth@provedor.com.br . O e-mail é o seu endereço eletrônico e passa um micro recorte de sua seriedade profissional / credibilidade.
  3. Indique somente uma área de interesse. Caso queira se candidatar a oportunidades de áreas diferentes, é recomendável ter mais de um currículo com objetivos distintos. Com esta medida, você transmite uma conduta de assertividade e foco em resultados ao invés de desespero e confusão.
  4. Lembre-se de que o campo de “qualificações” é um espaço para confecção de um resumo e não um livro. Destaque no máximo quatro ou cinco principais qualificações adquiridas em experiências de trabalho formais e informais. Suas inúmeras habilidades certamente serão avaliadas ao longo do processo seletivo, ou seja, nas entrevistas, nas dinâmicas, nos testes, etc.
  5. Ordene o campo 5 de sua atual ou última graduação para a primeira, obedecendo a seqüência: Curso, Instituição de Ensino, Ano de conclusão ou ano de início e término. Coloque nível técnico ou ensino médio apenas quando for relacionado á formação atual ou área de interesse. O mesmo vale quando já tiver cursado mais de uma graduação.
  6. Mencione o nome da empresa e o período em que atuou lá. Colocar informações sobre a empresa mostra que você se preocupou em contextualizar informações (Por exemplo, empresa XX fabricante de tintas onde atuei como analista de….) para quem analisa o currículo. Não colocar a data de entrada e saída é uma dica para o selecionador elaborar hipóteses como: a sua falta de atenção, uma tentativa de esconder que ficou pouco tempo naquela empresa, etc.
  7. Descreva sua experiência de forma objetiva, sempre respondendo Contextos, Ações e Resultados.
  8. Ao citar idiomas, detalhe seu nível de proficiência. Não coloque “básico” só para preencher espaço no seu currículo.
  9. Experiências de intercâmbio também são muito valorizadas, principalmente se a vaga for para empresas multinacionais.
  10. Inclua no campo de formação complementar os treinamentos e cursos que fez, desde que tenham afinidade com a futura área de atuação. Reflita: ninguém se candidata a uma vaga de auxiliar contábil demonstrando que fez curso complementar de cabeleireiro ou auxiliar de cozinha…Pense sempre na coerência daquilo que você está escrevendo.
  11. Aproveite o campo de atividades complementares para valorizar atividades exercidas por você no meio acadêmico e social, seja a participação em congressos, estágios, etc.

Currículo

Eduardo Alencar destaca ainda, outros importantes aspectos a serem observados:

Conteúdo geral – O currículo deve ser o mais objetivo e conciso possível, evidenciando suas habilidades, conquistas e experiências. Mencionando apenas o necessário para demonstrar que você tem o perfil desejado. Evitando mentiras ou informações que possam colocar você em uma saia justa nas demais etapas do processo seletivo.

Layout / aparência – Logo após dados pessoais, objetivo e qualificações, o profissional que opta por colocar a experiência profissional primeiro, demonstra valorizar esse aspecto. Quem prefere colocar formação acadêmica, dá ênfase a esse ponto. Dê ênfase ao que você tem de melhor…nos casos de ser o seu primeiro emprego por exemplo, opte por priorizar a formação acadêmica! Não há modelo certo ou errado de lay out, o que prevalece para sua confecção é a descrição. Seja discreto, seu currículo não é um outdoor, ele é um cartão de visitas que resume as suas qualificações e trajetória profissional.

Fontes e cores – Para um currículo mais tradicional, opte por letra Arial, tamanho 12 cor preta impressos em folhas brancas A4. Profissionais de outras áreas como o marketing e a publicidade podem variar um pouco mais.

Atualização – O currículo é o primeiro contato da empresa com você. Insira as informações mais recentes e relevantes. Parece brincadeira, mas recebemos inúmeros currículos cujo candidatos se esqueceram de colocar ou atualizar os telefones.

Número de páginas – O currículo deve ter 01, no máximo 02 páginas para profissionais em início de carreira e 02 para profissionais mais experientes e sem limites para vagas acadêmicas (professor, pesquisadores, cientistas, etc).

Para quem não tem experiência profissional – Aproveite o campo Atividades Complementares para mencionar trabalhos voluntários, trabalhos acadêmicos premiados, monitorias na faculdade, atividades em centro acadêmico, empresa Junior ou comissão de formatura, entre outros.

Foto – Coloque sua foto somente se for solicitada pela empresa. Nesse caso, use o bom-senso e evite imagens de regatas, óculos escuros, fotos com a família, decotes, maquiagem exagerada, fotos em família, etc.

Estética – O texto limpo permite uma leitura agradável. Se você for imprimi-lo, capriche no papel e o modo de apresentação. Se enviar por email, envie em formato doc. Nunca esqueça de justificar o texto / formatá-lo adequadamente.

Assinatura – Não é necessário assinar o currículo, pressupõe-se que você assume uma vericidade junto as informações mencionadas no ato da entrega.

Ortografia – Tenha cuidado com esse aspecto extremamente relevante. Use um corretor ortográfico, revise a digitação ou peça para pessoas mais experientes revisarem o conteúdo. O recrutador perceberá quando o erro foi de digitação ou de ortografia, principalmente se a vaga exigir competências técnicas voltadas a língua portuguesa.

Lattes – Profissionais da área acadêmica devem inserir o link para acesso ao seu currículo em plataforma lattes.

Seguindo estas orientações, seu currículo agregará maior probabilidade na convocação das etapas de entrevistas. Volte e relate-nos sobre as suas experiências de recolocação.

Boa Sorte!

 

Sonho de Uma Noite de Verão
foto retirada do site www.objetivo.br

Obra de William Shakespeare (Objetivo, 71 páginas, adaptação e apresentação Izabel de Lorenzo), uma agradável comédia com cenário dividido entre Atenas e um bosque próximo, que tem seu enredo recheado pela convivência harmoniosa entre a realidade dos homens e a fantasia dos mitos gregos e célticos.

Dois jovens que se amam e querem se casar, são impedidos pela rigidez do pai da moça – que já a havia prometido a outro rapaz – e pelas leis da cidade, em que a desobediência acarretaria na morte da moça ou no seu confinamento em um convento.

No desenrolar da história, entre o desejo de se libertar das grandes repressões sociais e viver este amor, ocorrem diversos encontros e desencontros amorosos entre outros casais, todos com divertidas intervenções dos espíritos mágicos.

Há também um grupo de artesãos que ensaiam precariamente a fim de representar uma peça para um importante casamento no palácio, onde os noivos recebem o espetáculo com consideração, pois “… às vezes a simplicidade e o silêncio dizem mais do que a eloqüência planejada…”.*

Para resolver os desencontros e trapalhadas, os elfos fazem com que todos sintam a sensação de ter tido apenas um sonho, confuso, mas com final feliz. Destes em que temos delírios febris como em uma noite bem quente de verão.

*Frase retirada do livro.

De início, pretendo esclarecer que não sou contrário ao PT, nem favorável. O texto a seguir se referirá ao projeto de gestão pública registrado pelo Partido dos Trabalhadores no TSE para a campanha da candidata Dilma Rousseff. A análise é sobre o projeto petista por dois motivos simples: 1- Foi o único projeto que tive acesso até o momento. 2- O projeto mal foi registrado causou polêmica dentro do próprio TSE.

Um dos tramites naturais do registro de qualquer candidatura a cargos no executivo é a entrega de um plano de governo. O PT, porém, causou certo tumulto em Brasília ao registrar um projeto polêmico e poucas horas substituí-lo.

O projeto prevê uma série de iniciativas – não explicitadas, tampouco citadas – que concentrariam determinados pontos relevantes a liberdades individuais ao poder público. Entre eles, a tratativa da reforma agrária, o sistema organizacional de comunicação e a questão ambiental aparecem como os mais polêmicos.

O projeto retoma uma série de processos que eram do planejamento do projeto de estruturação e consolidação do PT no poder, outrora encabeçado por José Dirceu. Os dois pontos mais fortes são a posição surpreendente quanto à reforma agrária e cerceamento da liberdade de imprensa.

É notório que uma força que auxiliou o PT em sua caminhada política foi o MST. Porém, desde que ascendeu ao poder, pouco se tem visto do partido de Lula no que se diz a esforço para acelerar a reforma agrária. O projeto inicial apresentado ao TSE intrigou até mesmo técnicos do Tribunal, afinal, era difícil imaginar que o governo petista exporia apoio a médios e grandes produtores rurais.

Historicamente, é um posicionamento estranho. Porém, extremamente coerente com o que PT e seus aliados, como Aldo Rebelo, têm feito quanto a proposições e alterações da lei ambiental. Aldo tem sido o testa de ferro do PT na encruzilhada para deturpar e estuprar a lei ambiental, anistiando quem desmatou até 2008, isentando de multas e punições por 5 anos aqueles que cometeram crimes ambientais de diversos níveis e reduzindo os limites de proteção do meio ambiente. Pequenos rios e florestas ficarão completamente a mercê do interesse econômico se o texto de Aldo for aprovado no plenário, o que se mostra uma realidade concreta após a aprovação em comissão especial.

E todo esse movimento sob forte manobra do partido dos trabalhadores. Deputados petistas fizeram grande esforço para aprovar a agenda defendida por uma organização de latifundiários do Norte e Centro-oeste. Nem mesmo reservas ambientais precisaram ser respeitadas por pontos do projeto.

Porém, o déjà vu é que uma das batalhas mais ávidas de Dirceu quando Ministro da Casa Civil está no caderno de projetos de Dilma; A fundação de um órgão controlador de mídias e comunicação. Leia órgão que censurará os meios de comunicação, seja jornalismo, entretenimento ou publicidade. O texto apontava que era objeto de interesse público defendido pela candidatura de Dilma que o monopólio da comunicação deveria sofrer intervenção do governo. É evidente que isso se dirige às organizações Globo.

Independente de qualquer juízo de valor, quanto o poder público ameaça interferir na imprensa ou parte dela, isso não parece ser um ponto interessante para o jogo democrático.

Uma proposta que acredito ser mais adequada seria a flexibilização da legislação para que a concorrência tenha condições de evoluir tecnicamente ao mesmo patamar da dita monopolista Globo. Creio que seria a solução viável, adequada pois a legislação hoje dificulta a evolução de empreendimentos midiáticos e limita o poder da comunicação de massa indivíduos ou grupos com grande poder de investimento. São poucos os privilegiados por conta das regras utilizadas pelo próprio governo para concessão pública do sinal e banda.

Porém, os textos foram retirados. Todos os pontos ficaram na língua de todos do TSE e hoje* pela manhã já eram ponto alto de discussão ampla por todos os meios e centros.

Basta saber se isso realmente se refletirá em algo ou simplesmente se perderá no esquecimento em poucos dias, com tantas perguntas a serem respondidas quando um eco daquilo que houve de pior do governo petista de 8 anos parece atormentar a candidatura do PT.