Existe algo que nos faz prosseguir. Mais forte do que todos os nãos, do que todas as cadeiras vazias, do que todas as páginas não lidas. Se me perguntarem por que insisto em fazer cultura, responderei que simplesmente não sei fazer outra coisa. Na verdade, nem tenho tanta certeza de que sei fazer isso a que chamam “cultura” direito. Mas se não o fizesse, nada mais faria. Sentido. Trabalhamos na maior parte das vezes de maneira solitária, colocando no papel algo que não se pode mensurar. Não sabemos quem está do outro lado da tela, escondido no escuro do cinema ou observando uma obra de arte em uma parede qualquer. Jamais ficamos sabendo de que forma nossa arte vai atingir o outro, quando ela verdadeiramente se aproxima dele.

Vez ou outra surgem as palmas, os elogios rasgados, os agradecimentos fortuitos. Nunca acreditamos. Não é por isso que fazemos cultura. Fazemos porque não há mais nada a fazer. Porque é só isso e mais nada que sabemos fazer. Esta é a nossa natureza, quer você vire a página ou não, quer você leia este texto até o fim ou não, quer bata palmas em pé ou sentado (ou simplesmente saia escondido no intervalo entre o primeiro e o segundo ato).

Somos movidos pela transformação. Se não em você, no leitor, no espectador, na platéia, pelo menos em nós. Mudamos a todo instante em favor de nossa arte. Somos artistas e quando finalmente assumimos isso para nós mesmos, não há mais nada a temer. Somos artistas. Artistas. Arte. Queremos transformar, mobilizar, mexer, instigar. Mas acima de tudo, queremos fazer. Porque se não o fizéssemos, o que seria de nós?

Somos artistas de nossas próprias vidas. Se não fazemos “cultura”, pelo menos criamos a nós mesmos… Infinitamente.

 

Fontana de Trevi – Roma - Italia
Fontana de Trevi – Roma - Italia

Muitas pessoas me perguntam porque eu escolho determinados lugares para viajar. Bem, como sou uma pessoa que gosta muito de cinema e música, normalmente minhas viagens começam deste “start”. Vou linkando as cidades em que eu vi tal filme e gostaria de passar por lá – Como é o caso de La Dolce Vitta e minha futura visita a Fontana de Trevi na Italia, ou o filme An Education que me inspira sempre a pensar em uma Paris diferente, não a Cidade Luz para turistas, mas para os intimos, e por isso tenho buscado indicações de lugares onde os parisienses gostam de ir e não onde os turistas querem estar.

An EducationMontar o roteiro de uma viagem está ligado também ao gosto peculiar e particular – ou até as por suas curiosidades. Há pessoas que desejam ver as praias do mundo, então montam seus roteiros baseados em que praias poderão visitar. E a busca pela variação também tem seu encantamento, pois propicia a sensação de conhecer mais aquilo que se gosta. Claro que o conhecimento do lugar propicia um melhor aproveitamento daquele determinado momento, há muitas informações nas entrelinhas.

Outras pessoas – os que gostam de Rock por exemplo, não vão querer perder a oportunidade de passar por exemplo por Abbey Road, onde os Beatles gravaram. E pensam até em que período viajar, caso seja possível pegar a turnê daquela banda que até hoje não esteve no Brasil.

Os motivos que levam alguém a visitar um lugar além de fortaleceram a busca para garantir que sua passagem seja inesquecível, tornam o lugar parte de nós e a sensação de que nossa alma também pertence aquele lugar fica mais evidente. E como disse no primeiro texto, nossa alma, muitas vezes enclausurada nas nossas rotinas do dia a dia, volta mais revigorada quando lembra que o mundo todo que a rodeia (mas não necessariamente está próximo) faz parte dela.

Recentemente uma grande amiga resolveu fazer um Mochilão pela Argentina, muito movida pelo meu mochilão. A resposta que recebi dela foi – Ah, é bonito, mas sei lá, não era nada mágico. Qual foi o problema deste roteiro? Ela havia escolhido o lugar por uma indicação de outra pessoa, sem se questionar se ela mesma queria estar lá. A situação não poderia ter sido diferente, porque aquele lugar ao qual ela visitava não fazia parte dos desejos internos da mesma. Ele era bonito, diferente, mas não a atraia. Logo em seguida conversamos bastante -e como sei que ela AMA vinho, perguntei como foram os passeios por Mendoza, na Argentina. Naquele momento vi os olhos dela brilharem! Ela havia se apaixonado por Mendoza, tanto que passou uma manhã toda buscando informações sobre vinhos antes de fazer as visitações, e que isso fez com que ela aproveitasse ainda mais os passeios! Bingo! Foi ai que ela mesma percebeu que só conseguiu descobrir o que queria da viagem bem próximo do final. O triste é que ela não podia apertar o botão voltar pra mudar tudo, porém ela aprendeu uma ótma lição.Ou seja, hoje quando ela montar um outro roteiro vai se lembrar dos momentos que se divertiu mais, e com certeza esses momentos estarão ligados ao gosto pessoal que ela tem.

Não há arrependimentos óbviamente em uma viagem, mesmo neste caso, mas nada mais inspirador do que ligar a “fome com a vontade de comer”. Por isso se for procurar fazer uma viagem diferente, ligue suas “visitas” ao seu gosto pessoal, procure ir a lugares que te inspiram ou que te deixam curioso (a)

E já que estamos falando de gostos, queria saber como seria o roteiro de vocês. Se hoje você tivesse o dinheiro necessário para ir viajar, para onde iria? E porque?

Cinque Terre – Italia
Cinque Terre – Italia

 

 

1 GOALJunte Jessica Alba, Matt Damon, Shakira, John Legend, Pelé, Bono Vox e Rainha Rânia apoiando uma causa, qual seria ela? Aproveitando a edição africana da Copa da FIFA foi criada uma iniciativa interessante: 1GOAL, Education for all.

A Campanha reúne artistas, jogadores de futebol e outras personalidades mundiais com a intenção de realizar uma petição que sensibilize os governos de toda parte do planeta a investir no acesso à educação para todos. Ao menos a educação básica.

A idéia é reunir o máximo possível de assinaturas on-line no sitewww.1goal.org e apresentar a petição aos governantes. Diz a petição “This World Cup I support 1GOAL: Education for All and call on world leaders to provide education for 72 million children worldwide by 2015”. (Nesta Copa do Mundo eu apoio 1GOAL: Educação para todos e convoco os líderes mundiais a prover educação para 72 milhões de crianças ao redor do mundo até 2015).

Participe você também. Basta acessar o supra citado site e realizar sua assinatura. Você pode ainda optar por receber atualizações sobre a campanha.

Até agora foram 14.918.675 assinaturas, e contando…

 

Vento Terral é uma banda paulista formada por Rodrigo Alarcon (vocais), Zachi (guitarras), Mancini (violão), Marcus Vinicius (baixo) e Neto (bateria), com músicas lisas, bonitas,fluentes…como a água do mar fica quando recebe o vento que vai do continente em sua direção…o vento terral!

Linha de frente: Faixa de abertura do CD, Linha de frente trás a dualidade de quem vive na cidade cinza, agitada e apressada, com a cabeça na calmaria, natureza, beleza da vida.

Alguém sempre tem razão: “outras verdades em meio a sua”…porque afinal alguém sempre tem razão, mesmo que a sua própria e que essa razão não sirva para o outro.

6X8: Com uma letra que nos faz pensar sobre nossa rotina, sem ser maçante, sem cair na mesmice e prestar atenção na lama e no fogo que nos cerca.

Ilha Azul: Uma melodia que te leva para a Ilha…verão…se fechar os olhos tenho certeza que sentirá a areia nos pés e a brisa quente de fim de tarde na praia que mais gosta!

Em Cena: Essa faixa conta com a participação de Fabíola Mourinho que com sua voz suave faz par perfeito com a voz forte, porém lisa-limpa de Rodrigo nos levando a algo etéreo. Propositalmente (acredito eu) terá partes da música que você irá dar uma sambadinha!

Brasil: Sou suspeita para falar dessa música que é a minha favorita…desde de gravações anteriores a do CD em questão. A letra reflete o verdadeiro espírito do brasileiro , por mais que alguns (poucos) discordem. A guitarra ganha destaque nessa faixa que fecha muito bem o CD.

Para quem ficou curioso e quiser conferir as faixas, elas estão disponíveis nohttp://www.myspace.com/ventoterral.

 

Complicado explicar porque, mas nunca tive lá muita confiança em guru usando terno. Digo… para mim, não são exatamente gurus, longe disso, mas a pretensão é se passar por um. O cara veste terno e gravata, livrinho na mão, projetor, PowerPoint, e começa um discurso motivacional que vai mudar sua vida. “Senhoras e senhores, dispensemos meias-palavras; sei porque estão aqui. Sei que estou diante de pessoas inteligentes, então cortemos os borogodós”, e começa a falar de VOCÊ. SUA vida. SEU drama pessoal-existencial-financeiro. “Sim, eu te entendo. Sei pelo que passa.” Do Amway ao “Perca peso, pergunte-me como”, do “Novo encontro com Jesus” ao “Como maximizar seu eu-produtivo em uma semana”, passando pelas palestras pré-cozidas dos porta-vozes do sucesso, cada um deles tem uma história para contar, de como um dia foram como você, de como após perder tudo para dívidas ou drogas, ou o filho ser internado na UTI, entenderam como as coisas funcionam e acordaram. Remodelaram a vida. Conheceram alguém (ou leram um livro) que lhes abriu portas para a redenção. Jesus, Amway, “Filosofia alimentar do novo milênio”. Você dá nome ao messias. Os gurus de terno sofriam o SEU sofrimento, mas uma luz os acolheu e os passou para o outro lado do muro, onde ficam os vencedores. Cada um deles descobriu “O segredo do sucesso”, e agora quer partilhá-lo com você, porque VOCÊ TAMBÉM É ESPECIAL. VOCÊ TAMBÉM PODE CONHECER O SEGREDO.

Pois é. Lembrou do livro, imagino. Segundo este, e o filme homônimo, qualquer sucesso, qualquer personalidade que tenha marcado a história, inventor, artista, sábio, escritor, estadista, cientista, profeta, guru, e hoje aparece na galeria dos “vencedores consolidados”, só o faz porque conhecia O SEGREDO. É a velha fábula da história como FIM. “Tudo converge para ISTO”, ESTA fórmula, ESTE concentrado do que realmente importa saber das psicologias de todas as civilizações que existiram, agora disponível por 39,99. Seja um Gandhi você também! Encontre o Einstein que existe no lado direito mágico de seu cérebro!

Coisa velha, ver a história como FIM, mas nada resiste a uma embalagem nova e convidativa. O guru de terno é uma versão “bussiness” do arauto da transcendentalidade. Pode ser um pastor fazendo milagres por atacado, o vendedor “manager” que está no alto da pirâmide vulgo “marqueting de rede”. Não importa. Ambos vão mudar sua vida num estalar de dedos em troca de dinheiro, devoção e mais membros para o rebanho. “Investimento”, dizem. Apelam a seu desamparo, sua fome por soluções e respostas consolantes, sua disposição em “correr atrás”. “Sim, eu posso, consigo, quero, tenho fé! Não vou desistir!” Sua mente aquiesce enquanto incorpora o discurso do guru que tem a velocidade da banda larga. Tecno-guru. Fala em Jung, Nietzsche, Gates, Confúcio e John Lennon em uma única volta retórica. Vai de Platão à Madre Teresa em oito segundos. Sem solavancos. Sem escalas. Para ele e para você, tempo é dinheiro, portanto, mais impacto, menos reflexão, mais linhas retas, menos devaneios. Este neo-sábio não medita, dispensa o silêncio, põe no ouvido o celular para sentir o gozo da tecnologia zumbindo em seu cérebro. Neurônios vibrando em 220, ecoando Rock Farofa a 500 decibéis para as caixas de som das cordas vocais, que transformam cacofonia em verbo. A platéia goza por tabela. Ri, chora, aplaude, grita “Aleluia” e reage a cada comando como um Bonecão do Posto recebendo santo. Eis o milagre do guru, que não promete, faz. Melhor ainda: faz prometendo. Seu produto como vendedor é o próprio ato de vender.

Mas em tempos de chiado e desinformação circulando em todo lugar, outdoors entupindo a visão, berros, urros e sirenes ofuscando o nexo porque precisam chamar você, não há brechas disponíveis ao processamento, não há equilíbrio que propicie análise e boas escolhas. Os sentidos viciaram no estímulo. Querem mais. Silêncio virou angústia e FALTA. “Preciso sentir para o vazio sumir”. “Quero choque em meus neurônios, batidão, tesão no tímpano e pico na veia! Padres são maçantes, Buda é gordo, vago, chato, e aquele ali do livro, complicado. Faz o seguinte… Pega os três, mais esse, esse e esse, põe no liquidificador e faz um chá de citações para mim, sim? E eu ainda posso botar no perfil do Orkut.”

O guru de terno não representa uma saída às doenças da modernidade. É um sintoma. Oferece milagres, soluções e certezas como se vende carrões na TV. Seduz com as armas da publicidade, e tem objetivos semelhantes. Quais? Ah, não te contaram essa parte, não é? Pois o verdadeiro segredo está aí, não nas prateleiras. Não por 39,99.

 

Mantenha o SistemaLivro de George Orwell (editora Hemus, 257 páginas, com tradução de Maria Judith Martins), conta a história de Gordon Comstock, um jovem escritor (cuja família patrocinou com esforço seus estudos), que abre mão de um “bom emprego” em uma agência de publicidade e passa a trabalhar como vendedor em uma pequena livraria. A narrativa, dada em Londres, tem como foco central a revolta do rapaz contra o sistema capitalista e a maneira que é afetado pelas conseqüências de suas próprias decisões, abordando conflitos psicológicos, emocionais e sociais, além da degradação física.

O personagem principal não é um herói a quem passamos a admirar – talvez por ser demasiadamente humano, com todos os defeitos do ser – e Orwell claramente não teve a intenção de explorar outras possibilidades para abdicar do sistema capitalista, a não ser o exemplo na vida de Gordon (este sim, explorado minimamente em todas as fases).

Apesar disto, o livro se mostra interessante e convidativo. Abre inevitavelmente os olhos do leitor para uma realidade que afeta o mundo, sem fronteiras. Faz refletir sobre o destaque que o dinheiro tem na vida das pessoas, a dependência provocada por ele e o estrago que sua falta pode causar.

 

Certa vez, o poeta escreveu:

“Morro de saudade longe do seu beijo
Coração não pára de acelerar
Quase a duzentos por hora batendo no peito
Cria asas querendo voar…”

Fazendo uso de uma matemática simples, constatamos que 200 batimentos por hora correspondem a aproximadamente 3,33 batimentos por minuto. Considerando como parâmetros normais 60 a 100 bpm, o diagnóstico é fácil: querido poeta, você sofre de uma grave bradicardia.