Uma quer largar tudo e se tornar voluntária no Nepal. A outra quer poder esquiar no próximo feriado em algum lugar da América do Sul. Uma quer abrir mão de uma carreira de sucesso e ser uma pessoa normal. A outra quer enviar o curriculo para a UNICEF, UNESCO ou ONU e fazer algo de bom pelo mundo. Uma quer se mudar para outro país e aprender outra cultura. A outra quer comprar um apartamento e ter um escritório aconchegante dentro de casa. Uma quer escrever. Outra quer ser produtora. Uma que trabalha pouco, paga suas contas e curtir as pequenas coisas da vida. A outra quer trabalhar muito, gastar sempre que tiver vontade e realizar sonhos extravagantes. Uma quer trabalhar com turismo. A outra quer atuar com responsabilidade social. Uma quer fazer acrobacia aérea. A outra prefere assistir a um DVD em casa. Uma não pode entrar em uma livraria. A outra, não consegue dar conta de todos os livros que compra. Uma adora uma taça de vinho. A outra bebe fácil uma garrafa de champagne. Uma quer aprender italiano. A outra prefere parler français. Uma gosta de trabalhar demais. A outra não entende até hoje por que trabalha tanto. Uma se considera bem sucedida. A outra não liga de ser uma fracassada. Uma gosta de ficar entre amigos. A outra prefere manter relações solitárias. Uma gosta de banho bem quente. A outra prefere recitar mantras para Ganesha. Uma adora andar de metrô. A outra não suporta ter que sair de casa. Uma é normal e equilibrada. A outra tem crises e neurosos que a deixam louca. Uma sonha em conhecer a Espanha. A outra adoraria fazer um mochilão pela Ìndia. Uma não pode viver sem chocolate. A outra pensa em um dia parar de comer carne. Na maior parte das vezes as duas brigam o tempo inteiro. Em outras convivem em perfeita harmonia. E só mesmo quando as duas estão juntas… é que eu existo completamente. Sou uma e outra simultaneamente.

Ela foi embora sem ao menos dar uma olhada para trás, para ver o estado em que me deixou. Ainda bem que ela não se virou. Veria um rosto de formas retorcidas pela tristeza. Talvez não tenha se virado porque sabia que meus olhos ainda a acompanhavam na ignóbil tentativa de reter a sua silhueta, que com o tempo fatalmente viraria um vulto borrado sem qualquer legibilidade. Talvez ela quisesse ser esquecida, talvez quisesse garantir que nenhum resquício dela permaneceria em minhas retinas. Ela, de costas, era a última coisa que eu veria, talvez assim quisesse. Talvez porque ela também estivesse com os músculos da face prestes a se contrair, não sei. Talvez para o riso, talvez para o choro, não vou saber nunca – e talvez essa tenha sido a intenção dela.

Eu a vi caminhando, indo embora.

Eu a vi mexendo as ancas num rebolado sinuoso enquanto aumentava a distância entre nós dois.

Eu vi aquela bunda indo embora.

A bunda e ela.

A bunda dela.

 

Acaba nesse domingo (22/08) a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que teve como homenageados Monteiro Lobato e Clarice Lispector.

Depois de andar por umas boas 3 horas pelo pavilhão do Anhembi, segue minhas impressões.

-Homenageados: o stand destinado a Monteiro Lobato estava ok, não mais do que isso. Com informações sobre a vida do autor que qualquer interessado acha na internet, o ponto alto foi ver a primeira edição de “As reinações de Narizinho” com correções feitas pelo autor. Clarice Lispector… zero…isso mesmo, quer dizer, uma das salas destinadas as palestras do evento tinha seu nome, fora isso apenas no stand de uma editora um espaço destinado aos livros de Clarice, sem nada de muito extraordinário, nem os preços.

-Preços: algumas pechinchas, outros preços iguais aos das livrarias.

-Variedade: muitos stands, editoras diversas e títulos dos mais variados dentro dos mais variados temas… ponto positivo!

-Localização: fácil acesso de carro, ônibus e metrô.

Fiz umas comprinhas bacanas, livro de Fonoaudiologia por R$ 10,00, livrinhos de crônicas natalinas e guia sobre curiosidades lusitanas por R$ 3,00 e o tão esperado “Comprometida” da autora Elisabeth Gilbert (continuação de “Comer, Rezar, Amar” por R$ 24,00… fiquei feliz!

 

Para todo músico que se preze, o instrumento é muito mais que um objeto de madeira, metal ou material sintético. É uma extensão do seu próprio corpo, o veículo que dá voz às idéias de quem o toca, e por isso sua escolha deve ser feita com muito cuidado. Acústicos ou elétricos, instrumentos podem ser classificados em duas categorias: instrumentos de série e instrumentos custom made, com prós e contras que devem ser levados em conta na hora da compra.

A maioria dos instrumentos que vemos por aí são de série, produzidos em escala industrial segundo as especificações do fabricante. Em outras palavras, o som da marca. O preço dos instrumentos de série varia de acordo com a qualidade do material utilizado em sua fabricação, mas fator que realmente determina o preço de um instrumento é o peso que a sua marca possui no mercado. E é este fator que garante a grande vantagem dos instrumentos de série: o preço de revenda. A desvalorização dos modelos usados mais comuns é baixa em relação aos novos e os modelos top de linha valorizam (e como valorizam!) com o passar dos anos. Vide o caso do guitarrista André Christovam (ex-Golpe de Estado), que comprou um apartamento com o dinheiro da venda de sua Fender Stratocaster 1962.

Os instrumentos custom made, como o nome já diz, são fabricados sob especificação do músico. Materiais, design e pegada escolhidos a dedo em prol de um som com personalidade única. Um grande exemplo é a Red Special, a lendária guitarra do mestre das seis cordas Brian May (Queen), que foi construída pelo próprio May e seu pai, utilizando materiais incomuns como madeira retirada de uma lareira e peças de uma motocicleta. Entretanto, possuir um pássaro de canto único possui um preço alto: fabricar de uma guitarra custom made é, na maioria das vezes, muito caro e demorado. E ainda existe o fator revenda! Se seu instrumento custom madenão for feito por um luthier renomado, revendê-lo pode ser bem complicado.

Comprar pronto ou mandar fazer, eis a questão! Escolha com cuidado suas armas, pois o seu som (e a saúde do seu bolso) dependem disso.

 

Ao despertar-me encontro
A vista mais linda
De uma perfeição simétrica
De inspiração divina

Ao despertar-me enxergo
A mais pura beleza
De colorido supremo
De criação da natureza

Ao despertar-me vejo
Desperta em alegria
Ou tranqüila adormecida
O seu rosto, Luisa

 

A primeira vez que fui à Europa, em 2007, foi motivada pelo encontro do meu namorado, hoje marido, que estava em Portugal estudando na Universidade do Porto. Juntei a grana do meu estágio, que virou emprego, e no dia 27/07/2007 (sem superstição alguma) me joguei pela primeira vez no mundo. Lembro da ansiedade de poder conhecer o velho mundo, a falta de experiência por nunca ter ficado mais de 1 semana longe de casa e a expectativa de rever o namorado depois de 6 meses longe. De qualquer forma, já viajei para O Porto com todo o roteiro para 30 dias de viagem esquematizado: Porto, Madrid, Barcelona, Paris, Milão, Veneza, Florença, Nice, Marseille e Porto novamente. Sempre tive o sonho clichê de conhecer Paris, mas fui surpreendida por Veneza, pois em nada se parecia com a Veneza Global (de VampPor Amor).

Agora era diferente! Eu estava ali, surpresa, podia sentir o cheiro da cidade (não, Veneza não fede), ver milhares de turistas tão maravilhados quanto eu, me perder pela inúmeras pontes (são 400), molhar os pés nas águas geladas que corria em seus canais (são 177).

Veneza

Veneza é ao mesmo tempo romântica e agitada, clássica e comercial. Acho que cada um enxerga o que quer e imprime o seu próprio ritmo ao lugar – não importa se ele está lotado de turistas ávidos por fotos e lembrancinhas. Surpreendentemente, não quis passear de gôndola, mas adorava ficar olhando a cara dos turistas sendo levados para lá e para cá. Muitos casais rachavam o passeio e era bastante comum ver um casal de coreanos dividindo o espaço com um casal de indianos. Fascinante. Veneza foi o lugar perfeito para comer uma boa massa, tomar um belo vinho e acredito que eu poderia ficar o resto dos meus dias sentada numa minúscula mesa de café vendo a vida passar na minha frente.

Veneza

As lojas repletas de máscaras, fantasias e vidros do tipo Murano conferem um visual ainda mais diferente à cidade. É tudo muito particular. Veneza não é uma cidade comum. Apesar de ter sempre a sensação de “eu já passei por essa rua” dificilmente você realmente terá passado  por ela. São becos, vielas e em cada esquina uma paisagem mais bonita que a outra. Esse ano fui pela segunda vez à Europa, mas a Itália não entrou no nosso roteiro. Quero um dia voltar a Veneza e me apaixonar de novo por ela. Porque lugar bom é aquele que tira o seu fôlego, te deixa sem saber por onde começar e deixa um gostinho de quero mais. Igual a um grande amor.

mais fotos em flickr.com/photos/raphanomundo