Sim, doutor. Uma crise. Meu marido e eu não estamos nos nossos melhores dias. Mas ele pediu, doutor! Ele fala demais e acaba ouvindo o que não quer! Como vou explicar…? Bem, doutor, imagine o seguinte o diálogo:

– Desligou o gás?
– Desliguei.
– Tem certeza?

Pronto! Você estava certo de que tinha desligado o maldito botijão, já é um hábito! Mas basta alguém perguntar se você tem certeza pra te tirar do seu merecido descanso pra verificar se o gás foi REALMENTE desligado. E, geralmente, foi.

Me entende, doutor?

Pois depois de umas dessas viagens do meu marido, nós marcamos uma noite mais… errrr… romântica. Sabe como é, doutor, quase quinze anos de casamento. Às vezes é necessário um tempo só pra nós e blá blá blá. Creio que me entende. E depois dessa noite, enquanto estávamos abraçados ouvindo uns CDs de jazz dele, ele me diz:

– A gente realmente precisava de uma noite assim. Provavelmente a melhor destes quinze anos, não é, amor?
– É sim, amor.
– Mesmo?

E o silêncio reinou, doutor. O silêncio reinou.