Almendra – Ana No Duerme

A arte desmistifica a vida. Destrói a imagem imaculada e sorridente envolta em rabiscos imperfeitos de sóis amarelos, iluminando verdes campos e casinhas de sapês.

A arte dá à vida os filmes humanistas de guerra, as fúnebres canções de amores perdidos, as poesias malditas, as impressões imprecisas de Monet, as tragédias dramáticas de Shakespeare… E assim a arte está para a vida não como um imitador barato, senão como seu próprio criador. Porque não há mais sentimento sobre a linha do horizonte, ao som do mar e a luz do sol, que dentre quatro paredes, sob um bolero portenho e ao calor nativo do peito.

Computadores fazem arte quando nossa alma é virtual.

Se puder, ouça essa música antes ou durante a leitura. http://www.goear.com/listen.php?v=33f53d3

Doce solidão, ela tem mãos preciosas
que iluminam as composições dedilhadas
Receio que o pianista toca como escrevemos
Fazendo com que luzes de sua nova canção
Misturem-se à escuridão da noite solitária
Fabricando muitos sonhos de amor e paz
o pianista trabalha sem dormir ao tentar
Solucionar todos os problemas do mundo
Lamenta-se com as mãos mais que calejadas
Seguindo seu destino, ele consegue criar
Silenciosamente mais uma canção frustrada

*Como se o destino de um grande pianista fosse conseguir a paz

(Quarta, 17 de Outubro de 2007)

E, num carro de luxo, chega a imponente viúva e seu acompanhante que usava sobretudo e óculos escuros. Pararam próximos ao pequeno avião que se localizava no meio do nada, desceram e agradeceram ao motorista, que logo partiu.

Ouve-se, então, que um veículo se aproxima, o que atrai a atenção do casal. Era ele. E logo ela soube: tinha vindo buscá-la.

A jovem viúva sorriu e informou ao seu acompanhante que não mais partiria com ele. Ela sabia que ele era um homem e tanto, mas sabia também que não tinha sido feito pra ela. Despediu-se com um beijo e foi para os braços daquele que veio resgatá-la, de onde viu o pequeno avião decolar.

E tudo isso porque ele desceu da cauda do cometa, matou o bandido e depois sumiu. No rabo da estrela.

O que sinto dentro do peito dói, aperta, machuca.

Quero te colocar contra a parede e fazer você entender que ninguém gosta de você como eu, que ninguém é capaz de te fazer feliz como eu…caramba! Você não entende isso né?

Quando você vai abrir os olhos e ver que a felicidade está aqui, comigo?

Deixa eu te abraçar para que você sinta como gosto do teu jeito, do teu cheiro, teus defeitos, tua voz, teu beijo…me diz , quando te terei novamente?

Quando vou te esquecer?

Just tell me quando!

Leia com essa música: breathless – corinne bailey rae
(baixe aqui: http://www.4shared.com/file/25247688/a6f7eb55/Breathless.html?dirPwdVerified=6f89d7c8)

Me parece que agora a tarde o sol diante da praia é mais suave sabe? Não sei explicar, parece que ele pode me confortar,me abraçar com todo o seu calor. Nem entrei na água, talvez ela esteja muito gelada neste momento. E estar aqui, sentada me parece ser a coisa mais certa a ser feita.

Estou aqui, sentada diante da praia admirando e pensando em como a vida nos coloca em algumas situações inesperadas. De tanto planejar, projetar, a vida resolveu de fato me colocar em uma situação inesperada. Foi exatamente quando eu resolvi dar uma chance ao destino que percebi que não era eu, era o próprio brincando comigo.

Foi quando eu percebi que não era o cara perfeito do outro lado da linha, mas este que está aqui do meu lado neste momento. Quando percebi que seríamos mais do que amigos. Você nem sequer faz meu tipo. As vezes em estresso com sua tamanha inteligência. Me pego pensando nas suas mensagens ao longo do dia, ou da ligação a tarde. Em como tantas das suas palavras, muitas vezes plantadas, podem me incomodar. Queria entender porque as vezes eu simplesmente não queria atender o seu telefonema, nem responder as suas perguntas. Me pego pensando em quantas vezes isso pode acontecer daqui pra diante…

Dai me lembro que assistimos muitos filmes, nos divertimos tanto..demos tantas risadas. Quantas confidências! Quanto pra perder e pra ganhar. Quantas vezes se achando e se encontrando. E foi exatamente quando estávamos perdidos, na cidade andando em algum canto na Vila que de repente, nos encontramos de fato. acho que foi exatamente isso. Uma quimica, alguma coisa assim…que não posso dizer.

Não estar preparada pra tudo aquilo foi o que me espantou mais. Aquele beijo inesperado! Ainda consigo sentir os pés formigando enquanto descobria que gosto tinha sua boca entre a minha. Uma morte lúcida e instantânea inesquecível. E me pergunto se você já sabia que você seria capaz mesmo de me deixar sem folego. E agora estou aqui. Pensando, tentando entender, o que eu jamais vou de fato. Como aquela sua frase,solta, no meio de uma conversa qualquer: “a vida não é pra ser entendida baby, mas sim vivida”

Estava escrito assim: traz a pessoa amada em dois dias. Ela percebeu a diferença. Ora, a maioria daqueles cartazes colados em postes e tapumes davam prazo de três dias. Duas vivas para a livre concorrência, que poderia melhorar e aprimorar o tratamento dos males do coração.

Anotou, telefonou e marcou visita. A tal bruxa moderna, assim se intitulava, instruiu como proceder para que o feitiço desse certo e ele, a pessoa amada em questão, viesse ao seu encontro com um dia de antecedência às datas praticadas pelo mercado. O preço era um pouco mais alto. Ninguém anda, nestes tempos violentos, com a carteira recheada de dinheiro. Problema resolvido com pagamento facilitado nos cartões de débito.

O plano era o seguinte: fazer a encomenda, montar o esquema e esperá-lo já no altar, vestida de noiva e com o padre de bíblia em punho, com o texto decorado na ponta da língua. Não é que a mandinga tinha prazo de validade, mas cabia a ela amarrar de vez o pretendido. Logo, era melhor garantir a união pelo menos no religioso. Um sonho!

Em apenas dois dias, ainda com o futuro cônjuge distante, ela conseguiu organizar toda a cerimônia, com padrinhos e madrinhas, convidados, só da noiva, mas que já eram bastante, chá de panela e reservas em um hotel de Penedo, a pequena Finlândia, para curtir uma romântica lua-de-mel. O único protocolo a ser quebrado era sua entrada antes do noivo, que foi explicada da seguinte maneira:

“Ele não acredita nestas superstições bobocas.”

No dia, hora e local marcados, o sujeito apareceu. Entrou na igreja sem entender muito bem o que acontecia, vestindo um belo fraque alugado, sapatos engraxados e um sorriso estúpido no rosto. Ouviu-se murmurosa comoção entre os convidados. A noiva se emocionou.

Quando o padre fez a famosa pergunta, ele respondeu um rasteiro e sonoro não. E explicou da seguinte maneira:

“Eu não acredito nestes sacramentos bobocas.”