Depois de ter ido para alguns lugares como mochileira aprendi a viajar junto com as pessoas através de suas histórias. E foi assim quando me deparei com meu chefe que completou na semana passada 60 anos. Quem olha para o Dirlei nem desconfia da idade do mesmo, isso porque ele faz questão de trabalhar muito,  mas em contrapartida ele vive muito também. Com essa idade voltou pra faculdade, para fazer aquilo que gosta, pois aquilo que o formaria como grande profissional foi o seu primeiro investimento, que aconteceu anos atrás. Então resolveu sentar na cadeira novamente e completar 5 anos de estudo em Letras na língua alemã. Ele mesmo enfatiza que é interessante a ótica dos alunos quando ele entra em sala, de tio pra lá e tio pra cá, meio desbocado ele vai mostrando pra garotada que de tio ele não tem nada.

Neste encontro que tive com ele, no meio de um bom pé d’agua daqui do Rio, lá estava ele se aprumando para subir numa “motoca irada” que havia comprado pra desbravar algumas regiões do Rio de Janeiro, isso mesmo, nesta idade, e com um excelente cargo em uma grande companhia de nome importante no Brasil meu chefe prefere mil vezes sentir o vento tocar a pele do que ficar num carrão confortável viajando.

Depois que ele ficou sabendo do meu mochilão pela Europa – locais que ele ainda não visitou – andou me inspirando a ir conhecer Machu Picchu. Confesso eu que apesar de ouvir muitas histórias sobre o lugar nunca tive um verdadeiro interesse pelo mesmo, mas a forma com que Dirlei narra os fatos enlouquece qualquer “ouvinte”. – De repente o guia te leva pra subir a montanha, e pra subir a montanha você tem que masticar uma folha com um “negócinho”, é eles dizem que  é a folha de coca que amortece os lábios, eu bem sei que é aquele negócinho…fiquei já mega animado pra subir a montanha. E lá fui eu..do nada o cara pára no meio da trilha, perto das nuvens e fala – Vamos fazer uma oração para o Deus da montanha. Toquem na montanha. Sinta a vibração da montanha – diz o guia, e eu penso comigo – Não é que a porra da montanha está vibrando mesmo? Pois é Vanessinha..a viagem é inesquecível e você verá coisas das quais nunca viu na vida, e sentirá também essa energia do mundo, mas tem que ir e fazer trilha, andar no trem da morte, conhecer as pessoas…conhecer CUZCO! AHHHHHHHH CUZCO! E tome Inkacola..é um negócio doce doce doce…mas bem interessante pra se provar.

Machu Picchu

Ouvindo atenta as histórias vou montando um pequeno roteiro na cabeça. Vou me recordando da trilha do FItz Roy em El Chaltén, eu nem estava animada pra trilha, eu estava era morta! Cansada..com friooooooo muito frioooo! Havia chovido torrencialmente no dia anterior e eu tinha tomado uma boa dose de chuva. Queria ficar é quietinha no quarto do albergue vendo televisão. Mas pensei comigo – Poxa eu gasto uma grana pra vir pra cá fazer aquilo que eu posso fazer no sofá da minha casa? Ah não..eu vou mesmo acordar cedo e sair. Naquele dia chegando próxido da avistação do Sendero do Fitz Roy vi pela primeira vez um lago esverdiado leitoso, efeito esse causado pelo alto resfriamento da água e pela presença de glaciares. Meu olho marejou. Me segurei, olhei pra cima e lá estava o Cerro Torre e logo mais adiante o Fitz Roy com o sol batendo em seu pico…lindo. A natureza enlouquece quando você aprende a ama-la. Então ouvindo as histórais dele ficou complicado não querer ir, ainda mais quando ele diz – Você vai sentir a energia do mundo, pois ultimamente é isso que eu quero sentir mesmo…a energia boa que o mundo todo tem para me oferecer…e que a energia ruim fique bem longe porque eu não quero nada com ela!

Machu Picchu

 

Deixe uma resposta

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong> 

requerido