Não conheço uma pessoa no mundo que não goste de viajar. Isto porque viajar possibilita sair de onde estamos agora e conhecer outros lugares, pessoas, espaços. Viajar significa dar uma “brecha” nos nossos loucos dias de trabalho e estudo e sermos um pouco egoístas: pensar SÓ em nós mesmos. Viajar abre a janela da nossa alma, é como comer uma comida nova ou respirar um perfume novo, arriscar-se sair da rotina e nos permitir pegar um outro caminho, uma área “totalmente desconhecida”.

Há quem viaje com os livros, onde cada leitura proporciona encontros com o outro e com nós mesmos. Há quem precise apenas se sentar, abdicar-se do barulho e uma nova viagem começa, a viagem interna, uma espécie de viagem do pensamento. Bem, eu? Eu gosto é de colocar minha velha mochila surrada nas costas com aquilo que preciso para viver alguns dias, algumas poucas roupas, uma barraca, um saco de dormir, uma boa música e sair mundo afora. Então para compartilhar com o mundo essa experiência nova, que normalmente me permito fazer sozinha, vou colocando ela em pedaços de papel e compartilho. Seja através dos blogs ou até mesmo da fotografia, vou recortando o mundo novo que visito e guardo, na certeza que aquelas fotografias ou palavras não são só imagem pra mim, mas cheiro, toque e muita degustação.

Há quem pense que para viajar é preciso muito. Na verdade precisa-se de disposição e nada mais. É possível montar roteiros pequenos de viagem, como um final de semana, e torná-los tão inesquecíveis quanto aquela viagem dos sonhos pela França, Bariloche ou a India. Viagens são muito mais as escolhas que fazemos do que os lugares que visitamos. E claro, aquilo que você permite entrar no seu mundo. Quanto mais aberto estamos para nossas viagens, mais momentos mágicos podem nos surpreeender. É o toque mágico do outro em nossa nova histórias. Nestes momentos deixo que o outro conte a história pra mim. No meu caderno novo, branco em folha, sem muito se preocupar com as linhas deixo que ele vá rasurando, permito que ele faça um rascunho desta nova “”nossa”” história. E quando, mesmo que sozinhos indo viajar, nos deparamos com outras pessoas para dividir…ai que tudo fica melhor. Me lembro nitidamente de estar perdida dentro da cozinha no albergue lá em Manaus quando uma menina de 16 anos local me disse – Ah mas você vai comer sozinha? Nada disso..vamos juntar nossas coisas, chamo mais algumas pessoas e assim teremos conversas para uma tarde toda. E aquela tarde, até hoje na minha vida, se tornou uma recordação amorosa, um deleite e uma inspiração. É uma das que me recordo com mais prazer. Ou quando sem nenhuma vergonha na cara pedi a uma senhora lá em Belém do Pará para subir em seu telhado para fotografar o Círio de Nazaré. Não só ela cedeu o telhado como me acolheu, e ainda sim depois durante uma hora de muito choro (por minha parte) ela decidiu sentar e orar. E ouvindo suas orações meu coração começou a se acalmar. Até que em determinado momento ela parou e disse: Agora vamos tomar um café, pois sua alma já está calma outra vez.

São nessas experiências que sua alma percebe que o mundo todo pertence a ela, que não há fronteiras. As fronteiras existem porque nós mesmos construimos elas. Quando você quebra essa barreira inexistente, novos caminhos surgem. Mas caminhar nele depende de você. Normalmente nosso medo nos impede de continuar. Mas é claro! Há tanta coisa nova para descobrir! Quem não temeria? Mas como somos muito sedentos de conhecimento, novos lugares e novas pessoas, acabamos movidos pela chama da curiosidade, e alguns – não todos claro – descobrem que ao compartilhar com o outro e viajar sozinho, descobrimos muito de nós mesmos: do que gostamos, o que queremos e como queremos viver pelos próximos 20 anos. Aliás viver é algo bem presente em viagens. Pois não estamos preocupados em bater metas ou matar o dragão da vez em nossa rotina de trabalho. Não existem provas nem trabalhos escolares. Existem apenas os planos de onde eu quero ir, onde irei comer, com quem irei. Nem as roupas são uma preocupação, mas sim a experiência de vida cravada em cada uma dos próximos momentos.

Cada vez mais levo a crer que as pessoas deveriam viajar todos os dias. Alguns poucos minutos de liberdade para si. Esse exercício, que parece ser bobo, libertaria muuitas almas, e assim elas não desaprenderiam a pedir. Ficar tanto tempo caladas fez com que elas desaprendessem a pedir. Vivem com aquilo que oferecemos. E depois somos nós que dizemos que a vida passou bem diante dos nossos olhos. e fomos apenas expectadores dela, quando deveríamos ter nos esforçado para nos tornarmos os atores principais.

Venha você também viajar comigo e descubra mais sobre si mesmo.